Oi solidão
Podia estar contigo a vida toda
Mas você já ficou demais
Seu tempo expirou
Estou recomeçando
A mim mesma
Você sempre teve a capacidade
De carregar mil coisas
Em tuas andanças pelo mundo
De deixar peças espalhadas
Jogadas por toda a casa
Ou mesmo escondidas
Embaixo da cama
Do tapete
Qualquer canto que eu ia
Esbarrava com uma lembrança sua
Que me sugava a alegria
Drenava minha alma
Deixando-me vazia
Sim solidão
Você é uma parasita
Andava em volta de mim
Em círculos o tempo todo
Mesmo dormindo
Eu sentia a sua presença
sufocando-me
envenenando-me
silenciosa
ardilosa
Como a me dizer
Eu vou te matar
Ledo engano o seu
Hoje estou voltando ao começo
Como uma página em branco
Não vejo mais a escuridão
Como companheira
Estou me libertando
Sem fuga
Sem medo
Eu e meu silêncio
Agora compreendo o silêncio
Sua voz
Não estarei mais sozinha
Dentro da solidão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário