REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

quinta-feira, agosto 22, 2013

Falando de amor


Simples assim...
Não se pode avaliar o amor por quantia ou medida
Cada um o recebe e o doa conforme a essência do seu coração.
Dimensões não foram feitas para o amor
A minha acepção do mesmo não é o de outrem .
O essencial é amar.

terça-feira, agosto 20, 2013

Gosto de frestas


Gosto de frestas
Pois quando o mundo parece-me sombrio, as cores escondem-se...
As frestas com todas suas pequenezes deixam-me entrar os insistentes raios de sol.
Gosto de frestas
Pois que são pequeninos feixes de luz a iluminar-me o caminho
Quando minha alma encontra-se ao meio de tenebrosa escuridão.
Frestas são teimosas
Já que penetram em espaços inacessíveis de mim
Sondam-me, acalmam-me e me salvam.

segunda-feira, agosto 19, 2013

harmonia


Pois que o poema é a chave que me harmoniza a alma no corpo
Ele avança tomando desde o aberto ao ventre
E de repente sou o todo de mim
Pois que o poema faz-se sozinho
Ele invade, preenche e liberta
Ou talvez ele seja só permanência.

quarta-feira, agosto 14, 2013

Pois que o meu melhor depende de mim


Que eu saiba acariciar os meus medos, as minhas incertezas...
Para que eu possa abraçar e compreender toda a imensidão que há em mim
Que eu tenha sensibilidade e percepção
Para descobrir-me em horizontes nos espaços que me circundam
Que eu seja capaz de encontrar o meu sorriso
A minha fé, a minha ternura...
Adentro dos recônditos que me moram dentro
Porquanto dos meandros que me habitam sinto apenas um desejo:
Discernir o que não vejo
E descobrir-me nas cores que me segredam
Pois que são elas que colorem as minhas ausências.

terça-feira, agosto 13, 2013

Desafeto com o tempo


Tempo, tempo, tempo...
Que tal ponderar?
Seja célere em meus momentos insanos
Seja mais brando em meus momentos de ternura.
Tempo, tempo, tempo
Que teima em ser afável em meus dias de lamentos.
Obstinado prolonga-me as horas de angustias
E assim bebo as minhas dores em gotas.
Porque ser tão comedido em meio aos meus tormentos.
Sinto-me aprisionada diante dos seus passos lentos.
Tempo, tempo, tempo
Tão fugaz e tão efêmero a roubar-me indiferente 
Os momentos de doçuras.
Dissimulado e nada bondoso 
Não deixas que minha alegria floresça.
Tempo, tempo, tempo
Respeite as minhas idas e vindas.
Deixa de teimosia
Deixa-me ser poesia.

segunda-feira, agosto 12, 2013

Quando me achei


No meu esforço de acertar privei-me de viver
Perdi-me de mim mesma
Perdi-me sem ao menos tentar
Enleada em mundos de outrem que não os de minha alma
Deixei de ser horizontes e fui somente fronteiras
Ao longe as manhãs me acenavam em promessas
Sequiosa em minha alma peregrina 
Matizei aquarelas inteiras
Pintei um mundo infindo...
... Só com as minhas cores
Desaguei em rios e mares
Entranhei em desertos e oásis
Conquistei um mundo... 
... Sem medos
Sem caminhos, sem pegadas
E foi ali que me achei...
... No meu mundo devaneio.

sexta-feira, agosto 09, 2013

Criando raízes


Por vezes acariciei a dor.
Posteriormente olhei para trás
E fiquei com uma estranha sensação de desapontamento.
Pois que o choro pareceu-me tão inutilmente.
O tempo fez o renovo dentro de mim.
...
Por vezes a angústia bateu-me a porta
Superpondo-se em espectros
Os labirintos de minha alma.
E por vezes a esperança chegou-me mansa
Fabricando sonhos em meus becos desertos.
Trazendo-me motivos para ficar bem.
...
Por vezes enfrentei os meus medos
E me descobri mais forte de dentro pra fora.
Aprendi que não se pode andar para trás
E nem correr para frente.
Há de se caminhar sobre o caos...
O aprendizado é maior.
...
Por vezes estive no chão
E descobri...
Que é no chão que firmo raízes.
É onde floresço
E partilho o meu melhor.
...
E se por vezes sorri ou chorei
Foi porque os momentos eu vivi.

quinta-feira, julho 25, 2013

As minhas falas


As minhas falas sem sentido
São as que mais falam de mim
Pois eu as digo só para tocar você
As minhas falas são arroubos...
...depois de tempestuosos silêncios
As minhas falas são solidão.


Em ritmo de espera


Há uma solidão acordada por trás do seu sorriso.
Há um permanente outono amarelecido
A vazar do teu olhar.
As raízes do seu passado prendem-se ao seu presente.
E de mãos vazias de ti
Por vezes 
Ouso esperar que chegues a mim.
Em um tempo só nosso.

Espírito árido


É na poesia que ouso rasgar as vozes das pedras mudas
Colhendo palavras doces
Em terreno desprovido de sensibilidade.
E de ilusão teço a minha teia
Que nenhum artesão seria capaz de tecer.


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores