REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

sexta-feira, março 08, 2013

Vivo assim...


 O meu olhar sempre anseia
Num desespero mudo
A presentear-me por dentro
Com as belezas que me passam despercebidas
Enquanto caminho pelos meus desertos
Pois que caminho a procura de mim.


quinta-feira, março 07, 2013

Presença definida


Ainda que as noites continuem
Elas me são memórias sem abrigo.
Pois que,
 Guardo manso olhar
Às delicadezas que trago comigo.
Elas sim, são presença definidas
A fixarem-me as cores da vida.

(In)definições


No silêncio dos dias (es)corridos
A memória lhe chegava (in)definida.
Pois que lhe vingava (in)esperada
E (a)normal ausência dos sentidos...
Esquecidos nos caminhos da sua alma.
Onde lhe estavam as pegadas?
Tinha certa (in)certeza 
De tê-las deixado.
Pegadas imprimidas...
Erros e acertos dos seus passos.
Pegadas que eram suas.
Teriam sido
Noites e dias bordados na areia?
Ontem, ela teve o "mundo" a seus pés
Hoje, está a procura do mesmo.
Perdido no (des)entender da vida.
...
(Pegadas são sinais de vida.)

Em oposição


Observo as suas pétalas
Bordadas em detalhes.
Que permanecem
E confessam...
A sua constante presença
Nas mãos geladas do tempo.
Insistentes...
Acreditam na força das cores.

Amarelo orvalhado


Profundo é...
 O amarelo que me preenche as hastes verdes.
Permitindo-me existir em estrela.
Num sobrenatural jeito de ser...
Corpo dourado pelas mãos do vento.

quarta-feira, março 06, 2013

Sobrevivência


Os olhos gritavam em silêncio
O som firme de uma voz sobrevivente
E no campo árido que lhe habitava
Desabrochava em flor agreste.

terça-feira, março 05, 2013

Espantosa realidade.


A tranquilidade lhe era absoluta.
Foi então que conheceu desvairada solidão...
O silêncio gravitava em barulhos esganiçados.
Paridos dos recônditos, da estarrecida alma.
Traída pelo seu próprio vazio.

Abrigo


Quando os temporais me estremecem o silêncio
Busco abrigo onde o poema traz-me aconchego.



Hei dona moça


Hei dona moça, 
Parece-me que a força que te move
São sonhos desembalando dentro da alma...
A desfolharem-se suavemente
Em busca da liberdade.
Qual sopro cálido
Contornas as rodas da vida
Resistindo ao tempo das securas.
Em sentires deixa-se ir
Passo a passo deixa-se fluir...
 Quase sem pousar os pés no chão
Concede ao tempo um doce sabor de ilusão.

Néctares de nuvens



Hoje acordei malmequer
Sob as mãos distraídas do tempo.
Lentamente deslizei-me
Em Pétalas desfolhadas ao vento.
Voei... 
Bem além das minhas cercanias.
Eternizando o momento
Nas pupilas do horizonte.
Até os pássaros se calaram
Ante os acordes do meu inesperado voo.
Pétalas brancas, com sede de horizontes.
Subiram tão alto
Que se tornaram néctares de nuvens.
O fascínio pela luz
A incitar-me ao firmamento.


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores