REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

quinta-feira, março 07, 2013

Em oposição


Observo as suas pétalas
Bordadas em detalhes.
Que permanecem
E confessam...
A sua constante presença
Nas mãos geladas do tempo.
Insistentes...
Acreditam na força das cores.

Amarelo orvalhado


Profundo é...
 O amarelo que me preenche as hastes verdes.
Permitindo-me existir em estrela.
Num sobrenatural jeito de ser...
Corpo dourado pelas mãos do vento.

quarta-feira, março 06, 2013

Sobrevivência


Os olhos gritavam em silêncio
O som firme de uma voz sobrevivente
E no campo árido que lhe habitava
Desabrochava em flor agreste.

terça-feira, março 05, 2013

Espantosa realidade.


A tranquilidade lhe era absoluta.
Foi então que conheceu desvairada solidão...
O silêncio gravitava em barulhos esganiçados.
Paridos dos recônditos, da estarrecida alma.
Traída pelo seu próprio vazio.

Abrigo


Quando os temporais me estremecem o silêncio
Busco abrigo onde o poema traz-me aconchego.



Hei dona moça


Hei dona moça, 
Parece-me que a força que te move
São sonhos desembalando dentro da alma...
A desfolharem-se suavemente
Em busca da liberdade.
Qual sopro cálido
Contornas as rodas da vida
Resistindo ao tempo das securas.
Em sentires deixa-se ir
Passo a passo deixa-se fluir...
 Quase sem pousar os pés no chão
Concede ao tempo um doce sabor de ilusão.

Néctares de nuvens



Hoje acordei malmequer
Sob as mãos distraídas do tempo.
Lentamente deslizei-me
Em Pétalas desfolhadas ao vento.
Voei... 
Bem além das minhas cercanias.
Eternizando o momento
Nas pupilas do horizonte.
Até os pássaros se calaram
Ante os acordes do meu inesperado voo.
Pétalas brancas, com sede de horizontes.
Subiram tão alto
Que se tornaram néctares de nuvens.
O fascínio pela luz
A incitar-me ao firmamento.

segunda-feira, março 04, 2013

Na fenda do olhar


Só podemos ver a nossa verdade 
Quando ela nos encara olhos nos olhos.
Nos olhos assombrados de nós mesmos.
São verdades
De cada detalhe fino que abrigamos...
Defrontamos com as tempestades
Revisamos as calmarias
E descobrimos o furtivo.
Num transbordo de detalhes
Todos os sentidos brilham às claras.
Pois que é de terra o nosso molde
É preciso escavar o profundo
Para nos desvendarmos em essência.
E de repente
É-nos familiar a paisagem nas entranhas.
Esteja ela...
Em terreno árido
Ou
Em campo verdejante.

domingo, março 03, 2013

O guia interior


A vida é um salto de fé
Que não pode ser escrita a lápis
Não há lugar para retoques
Não há uso para borrachas
Cada momento é único.
Porém, 
Cada um possui a liberdade da escolha
O difícil não é escolher um caminho
É manter-se fiel à ele.
Cabe a mim
A você
A nós
Seguirmos em frente ou não.
Porquanto,
A vontade mais forte desconhece barreiras.

sábado, março 02, 2013

Melancolia tatuada


Entre a sombra e a luz existe uma ausência...
Que me abraça com uma indistinta melancolia.
E perpassa-me a alma
Com seus perpétuos ramos nus.
Que se alimentam das minhas cores
Numa volúpia faminta...
É boca hiante.
Fendida nas linhas do tempo.
Deambulando de um mundo antigo.
E agrilhoada vasculho nas profundezas...
Um breu cinzento, que retenho em mim.
Para que o vazio não se arraigue em meu peito.


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores