REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

terça-feira, março 05, 2013

Hei dona moça


Hei dona moça, 
Parece-me que a força que te move
São sonhos desembalando dentro da alma...
A desfolharem-se suavemente
Em busca da liberdade.
Qual sopro cálido
Contornas as rodas da vida
Resistindo ao tempo das securas.
Em sentires deixa-se ir
Passo a passo deixa-se fluir...
 Quase sem pousar os pés no chão
Concede ao tempo um doce sabor de ilusão.

Néctares de nuvens



Hoje acordei malmequer
Sob as mãos distraídas do tempo.
Lentamente deslizei-me
Em Pétalas desfolhadas ao vento.
Voei... 
Bem além das minhas cercanias.
Eternizando o momento
Nas pupilas do horizonte.
Até os pássaros se calaram
Ante os acordes do meu inesperado voo.
Pétalas brancas, com sede de horizontes.
Subiram tão alto
Que se tornaram néctares de nuvens.
O fascínio pela luz
A incitar-me ao firmamento.

segunda-feira, março 04, 2013

Na fenda do olhar


Só podemos ver a nossa verdade 
Quando ela nos encara olhos nos olhos.
Nos olhos assombrados de nós mesmos.
São verdades
De cada detalhe fino que abrigamos...
Defrontamos com as tempestades
Revisamos as calmarias
E descobrimos o furtivo.
Num transbordo de detalhes
Todos os sentidos brilham às claras.
Pois que é de terra o nosso molde
É preciso escavar o profundo
Para nos desvendarmos em essência.
E de repente
É-nos familiar a paisagem nas entranhas.
Esteja ela...
Em terreno árido
Ou
Em campo verdejante.

domingo, março 03, 2013

O guia interior


A vida é um salto de fé
Que não pode ser escrita a lápis
Não há lugar para retoques
Não há uso para borrachas
Cada momento é único.
Porém, 
Cada um possui a liberdade da escolha
O difícil não é escolher um caminho
É manter-se fiel à ele.
Cabe a mim
A você
A nós
Seguirmos em frente ou não.
Porquanto,
A vontade mais forte desconhece barreiras.

sábado, março 02, 2013

Melancolia tatuada


Entre a sombra e a luz existe uma ausência...
Que me abraça com uma indistinta melancolia.
E perpassa-me a alma
Com seus perpétuos ramos nus.
Que se alimentam das minhas cores
Numa volúpia faminta...
É boca hiante.
Fendida nas linhas do tempo.
Deambulando de um mundo antigo.
E agrilhoada vasculho nas profundezas...
Um breu cinzento, que retenho em mim.
Para que o vazio não se arraigue em meu peito.

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Em órbita


Suavemente me convida à dançar
Fecho os olhos e saboreio o momento.
No calor aconchegante dos teus braços
A minha alma desliza feliz.
O amor em meu peito deságua em ternura.
 Pois que me tenho reencontrado em ti.
E é onde permaneço.
Sob a luz do luar
Reaprendi a amar.

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

A grandeza de cada um


Respire fundo
Transforme-se
E se preciso for__
__ Recrie as suas cores
Desate os nós
Disperse as suas dores
Solte os laços.
Laços são fases da vida
Que não se consegue modificar.
Acredite...
Você não estará desistindo
Pois reconhecer que não vale a pena
Não é sinal de fraqueza.
É renascimento!
Do vício incerto de você mesmo.
Aspire...
A chama da vida
Que te habita
E que seja doce!!!

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Meio amor inteiro


E então ela começou lembrar-se...
Das perguntas não feitas
Pelo medo das respostas
Da intimidade nunca compartilhada
Dos segredos escondidos no fundo do olhar
Dos carinhos sempre adiados para mais tarde
E da esperança oca que ela tinha 
De modificar aquele amor desejado
E nunca saciado
Que ingenuamente ela amava só
Entre verdade e fantasia
Mantinha-se fiel ao vazio que recebia.
Hoje?
Ela espera matar a saudade
Da presença daquele que nunca teve
Enquanto sente o coração comprimir-se
Diante das lembranças vazias
Ante a sua sede de chama.
E no olhar magoado
Cabe, uma lágrima disfarçada
Num ultimo aceno 
Que se perde
Em sua face sempre gelada.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Sou variação em mim


Assim me resumo...
Sou tudo o que sou 
E não sou.
Aquela que eu sei
Que não existe
entretanto
É parte de mim.
Insiste em ser presença...
E respira cá dentro
No reflexo que não vejo.
Me perco e me acho.
imprecisa
Entre o que é ou não real.
Sou indistinto labirinto
No universo que me muda...
Num constante emaranhado 
De cores e de vida.
Entre os meandros que me habitam
O que floresce... 
É a emoção de viver! 
Que permanece
E distingue o caminho 
Não sei de onde.
Porém o percorro.

sábado, fevereiro 02, 2013

Eu sem mim


Quando eu me afastar, siga-me.
Protege-me
No ir
Mais além...
A desfazer-me na negritude da noite.
Pois que escuridão
É magia que não desenho.
É poema que não escrevo.
Por que só me sei em cores.

O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores