REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

sábado, janeiro 05, 2013

A ilusão dos sonhos


Sinto a ilusão dos sonhos navegando em mim.
Indefinidos, nos espaços amarelecidos.
Quisera eu, que me cingissem de cores.
Em um rico matizado para os meus olhos cansados.


Ela é o poema


Ela retém as palavras entre os lábios
Atando cada letra consigo.
 Pois que lhe são bem mais que palavras
Bem mais que pensamentos...
Em cada letra aflora um sentimento
Sempre em brotamento.
Vindo à tona camada por camada de toda uma vida.
Há-lhe um poema desabrochado dentro do peito.
Ela o declamaria ao mundo...
Se assim o fosse possível.
Porém é sua alma, seu abrigo.
É o coração cinzelado... O umbigo.
É-lhe a essência.

Sou humana


Desafio-me diariamente
Porque não sou perfeita.
Mas, é assim que eu sou...
Caio, levanto e aprendo.
Porém, sou o melhor que posso ser.
Talho o que de mim é verdadeiro
Miro-me e vejo o essencial a minha natureza
Sem mistura ou alteração...
Entalho em pedra bruta a minha essência
E sei reconhecer-me em cada defeito.
Imperfeita, sim!
Todavia, sincera no meu modo de ser...
Desnudo-me em alma e coração.
Geralmente sou entrega, sou emoção.
E nem sempre ajo com sabedoria...
... Sou impulsiva
Transparente demais em meus atos,
Minhas manias, meus desejos.
E gosto de manter as coisas honestas.
Contudo, como muitos,
Tenho meus erros e acertos.
Afinal sou humana .

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Rendição embriagada


Ah!... poesia
Como é doce colher-te a alquimia
Em êxtase despertas...
... Ao encontro dos olhos que a lê.
Ah!... poesia
Leva-me na tua magia
Para que eu possa voar.
Pois dentro de mim as asas bailam
Ansiando à imensidão do poema.


quinta-feira, janeiro 03, 2013

Horizontes de solidão


O reconhecimento das almas foi imediato.
Rostos habitados de ausências
Corações dilacerados de solidão.
Almas perdidas na multidão
Se sentindo sós entre iguais.
Vidas esquecidas...
Que esperavam qualquer coisa do nada.
E talvez
Somente talvez
Esperavam pouca coisa do tudo.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Do fundo ao mundo


Com uma urgência inexplicável...
Na ânsia de saciar a sede do colorido
As mãos assaltam 
Todas as peças sem vida do tabuleiro.
Suspira com a certeza de quem confia...
Enxerga onde não havia
Absorve o aroma do impossível.
E embebeda-se na fragrância fervilhante
Da vida que acorda.
(O mundo lhe pertence)


domingo, dezembro 23, 2012

Um grande amor


Quero um amor que me acomode
Que me sussurre aconchego
Que me abrace com o corpo inteiro
E me envolva na doçura dos apaixonados.
Preenchendo-me todas as lacunas
Até que eu não me caiba dentro.
Chega de boicotar os sentimentos
Tenho pressa do genuíno
A invadir-me a casa, a alma e o coração.
Com a intensidade que nos exige a vida.
Sim eu quero
Porque eu mereço
Um amor verdadeiro.
Deixe que venha
Que se achegue 
E assente em minhas mãos
Pois eu quero
E espero
Desse amor... O repouso.


sábado, dezembro 22, 2012

Visão eternizada


Petrificou-me... Em apenas uma fração de segundos
Como um relâmpago que atravessa a escuridão
E com tamanha intensidade tatuou-me ao olhar...
As janelas do mundo.
Sem máscaras mostrou-me
As delicadezas dentro do tempo.
Em uma viagem de ida e volta
Contemplei a alma das cores
Na delicadeza das flores.
(O eterno esculpido-me na retina)

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Estou de caso com a vida


A caminhada às vezes pode ser longa e árdua.
Porém, tenho essa vontade bonita de seguir em frente.
Às vezes meus passos vacilam, caio.
Mas no instante seguinte estou de pé.
Aprendo com a vida...
Carrego na alma minha gratidão
Pelos meus fracassos momentâneos.
Foram-me preciosas lições...
O encorajamento para prosseguir caminhando.
Muitas coisas não saíram de acordo com meus planos.
Entretanto foi a sábia experiência que a vida me ofereceu.
...
Quero que meus passos alcancem além
Do horizonte que meu olhar desenha...
Enquanto sigo flertando 
Com os dias que a mesma me presenteia.
Não tenho uma bússola ou uma rota definida
Unicamente improviso...
É assim que me permito viver e sonhar.
Esta é a minha vida à ser vivida
O verbo existir para mim não basta.
Anseio muito mais...
Quero o inteiro da vida.
Aquele inteiro que me vira do avesso
E me revela em amplitude...
De cores e sabores.
Quero da vida todos os seus amores.
...
(Pois cá dentro, me há muito espaço, para as doçuras da vida.)

A vida das palavras.


Quero as palavras em asas de borboletas.
A fim de que floresçam ousadas
Para fora dos pensamentos.
Palavras sem fronteiras,
Sem fim...
Quero palavras
Dentre sorrisos escancarados
Até as lágrimas escorridas.
Palavras com alma, nas pontas dos dedos.
Quero palavras como pétalas...
Que se soltam.
Em voo livre, sem pára-quedas.
E pousam em solo fecundo
Diante à olhares sedentos.
Palavras são emoções em movimento...
Deslizam fugazes, como um sopro.
Ou tempestivas, como um ativo vulcão.
Palavras são rastros,
Pegadas de vidas...
Revelando a concretude dos pensamentos.
Palavras a deriva
Cruzadas, inventadas,
Perdidas e achadas.
Palavras que salvam e condenam.
Já nascem fecundas...
De primorosos contrastes e texturas.
Cada qual com seu estilo.
Palavras imortais e infinitas.
Palavras de muitas falas!
A fonte...
... A ponte
Entre o real e o imaginário.
Palavras respiram.

 

O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores