REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

sexta-feira, dezembro 21, 2012

A vida das palavras.


Quero as palavras em asas de borboletas.
A fim de que floresçam ousadas
Para fora dos pensamentos.
Palavras sem fronteiras,
Sem fim...
Quero palavras
Dentre sorrisos escancarados
Até as lágrimas escorridas.
Palavras com alma, nas pontas dos dedos.
Quero palavras como pétalas...
Que se soltam.
Em voo livre, sem pára-quedas.
E pousam em solo fecundo
Diante à olhares sedentos.
Palavras são emoções em movimento...
Deslizam fugazes, como um sopro.
Ou tempestivas, como um ativo vulcão.
Palavras são rastros,
Pegadas de vidas...
Revelando a concretude dos pensamentos.
Palavras a deriva
Cruzadas, inventadas,
Perdidas e achadas.
Palavras que salvam e condenam.
Já nascem fecundas...
De primorosos contrastes e texturas.
Cada qual com seu estilo.
Palavras imortais e infinitas.
Palavras de muitas falas!
A fonte...
... A ponte
Entre o real e o imaginário.
Palavras respiram.

 

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Que seja doce...


Um sorriso
Uma palavra
Um gesto... Um mimo para a vida
Que seja doce...
Os dias finais de 2012
E que seja mais doce ainda o ano de 2013
Feche os olhos e escute a voz da sua alma
Guarda o que  sentiste bem encaixadinho no coração
Boas festas a todos!!!


Através de minha ilusão


Das coisas que trago no peito
A saudade me é doída companheira
No pensamento que voa longe
Das manhãs doces, pelo cheiro das laranjeiras.
Reviro as folhas do tempo
Que me traz, ao cair da tarde, um horizonte desenhado.
Aromas e cores que me acenam
Dias desfiados em mistério, sob a promessa de esperança.
Atordoada, misturo-me ao passado, perdida em mim.
 Quase com medo, respiro a visão a minha frente.
E em virtude das minhas súbitas incertezas 
Eu fico a pensar...
Que talvez fosse somente uma utopia
Delineada em pensamentos de luz
Nas lacunas de minha existência.


domingo, dezembro 16, 2012

Vida, doce vida


A vida é uma exaltação
É lume a irromper a escuridão
É carne, é terra, é sangue ardente.
A vida é aparição
É raiz, é seiva bruta.
Respirando a beleza, o intemporal no universo.
Vida é esse calor que me corre dentro do peito
Através do ardor de cada instante...
Quando aspiro e respiro a pureza do ar.
Deleite, que me é trazido pela brisa.
A vida também se define...
No reconfortante manto das estrelas.
Cúmplice d'minha alma
Pela serenidade que sua presença me dá.
Vida, sublime vida!
Também a sinto... 
Na beleza magistral e límpida das águas.
Jorrando segredos do seu profundo.
 E igualmente estás no poente partilhado.
Aportado em esplêndidas nuvens
Para deleite do meu olhar.
Perpetuamente és vida...
Erguendo-se no céu
 No delineado alvorecer matutino.
Embriagando-me o dia, com as suas múltiplas cores.
Vida, doce vida.
Estou provando dos seus amores.

À permanência do teu olhar


Vejo os teus olhos sorrirem
Ao encontrarem-se com os meus.
Olhar mágico e penetrante. 
Que suavemente me habita
Permanece e me seduz.
E me sinto absoluta.
Rosa única
Desabrochando pétala a pétala.
E te sinto inteiro...
Desde a suavidade da sua pele
Ao avesso de sua alma.
Misturando-se em mim.
É-nos sentimento genuíno
Tão antigo quanto o tempo.


sábado, dezembro 15, 2012

Laços


Escondidos nas linhas do tempo 
Estão os detalhes da nossa história.
Momentos vividos
Esquecidos, adormecidos...
Mas cá dentro do peito ainda espero sentir
Aquela antiga intensidade ao te ver.
Quando o amor não me cabia nos olhos.
E de mansinho se acomodava ao fundo da alma.


terça-feira, dezembro 11, 2012

Destino


O destino une, separa
Apaga e escreve novos caminhos.
Porém, nem sempre tem a força necessária
Para apagar o antigo escrito.
Criando assim uma espera sem fim...
Pelo final desafiador do inverno.
Gerando uma estampa pálida e borrada
Nas estações da vida.
...
Às vezes o destino é feito de horas sem tempo
Ele passa rápido, em redemoinho.
Arrancando as folhas do calendário.
Dissipando os dias
Consumindo as horas.
Deixando no ar um amargo...
Pelas lacunas não preenchidas.
...
No entanto
Ele também pode acariciar uma longa viagem...
Brincando com as tintas de uma tela em branco.
Embala o tempo com esperança e leveza
Tendo a evidência das nuances dentre as cores.
A escorrer-lhe em pinceladas piedosas 
Pelas pontas dos dedos.
...
Isso significa que o seu toque pode ser...
Rude ou suave
Gélido ou quente.
Mas é fato 
Que muita coisa depende da gente.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Há caminhos...


Há caminhos...  De espinhos, sozinhos, sombrios.
Outros tantos encruzilhados, desenhados, traçados.
Marcados de lágrimas, de tropeços e cansaço.
Tênues linhas de sorrisos revelados, florescidos.
Enternecidos pela fé, pela coragem e confiança.
Cinzelados em pegadas de esperança!
Distanciam diversas, tatuadas na pele do tempo.
Independente das escolhas...
...Há caminhos.


sábado, dezembro 08, 2012

Quando o poema me acorda


Há dias em que acordo o poema dentro de mim
Em outros é o poema que me acorda.
Despertando a sensibilidade que me habita
E tudo me fascina no inteiro que me olha...
Há tanto do mundo no mundo
A descortinar-me amplamente a visão
Que me transborda na retina.
Diante dos desabrochamentos que nada esconde
Sinto a alma do mundo repleta
 A encher-me os olhos de humildade...
Em sua plenitude eis o poema.


sexta-feira, dezembro 07, 2012

Paciência


Acolho os meus invernos
Para contemplar a delicadeza da primavera.


Às vezes há em mim dias frio
 A me encharcarem o coração.
Dias assim me fazem guardar o amor
Ele fica lá, quietinho, ao abrigo
À espera do calor.
Aquele calor que chega suave
Destrancando-me as fortalezas
Aquecendo-me a alma e coração
Em busca de reascender-me a chama...
 Feita unicamente para despertar-me à primavera.


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores