REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

domingo, dezembro 16, 2012

Vida, doce vida


A vida é uma exaltação
É lume a irromper a escuridão
É carne, é terra, é sangue ardente.
A vida é aparição
É raiz, é seiva bruta.
Respirando a beleza, o intemporal no universo.
Vida é esse calor que me corre dentro do peito
Através do ardor de cada instante...
Quando aspiro e respiro a pureza do ar.
Deleite, que me é trazido pela brisa.
A vida também se define...
No reconfortante manto das estrelas.
Cúmplice d'minha alma
Pela serenidade que sua presença me dá.
Vida, sublime vida!
Também a sinto... 
Na beleza magistral e límpida das águas.
Jorrando segredos do seu profundo.
 E igualmente estás no poente partilhado.
Aportado em esplêndidas nuvens
Para deleite do meu olhar.
Perpetuamente és vida...
Erguendo-se no céu
 No delineado alvorecer matutino.
Embriagando-me o dia, com as suas múltiplas cores.
Vida, doce vida.
Estou provando dos seus amores.

À permanência do teu olhar


Vejo os teus olhos sorrirem
Ao encontrarem-se com os meus.
Olhar mágico e penetrante. 
Que suavemente me habita
Permanece e me seduz.
E me sinto absoluta.
Rosa única
Desabrochando pétala a pétala.
E te sinto inteiro...
Desde a suavidade da sua pele
Ao avesso de sua alma.
Misturando-se em mim.
É-nos sentimento genuíno
Tão antigo quanto o tempo.


sábado, dezembro 15, 2012

Laços


Escondidos nas linhas do tempo 
Estão os detalhes da nossa história.
Momentos vividos
Esquecidos, adormecidos...
Mas cá dentro do peito ainda espero sentir
Aquela antiga intensidade ao te ver.
Quando o amor não me cabia nos olhos.
E de mansinho se acomodava ao fundo da alma.


terça-feira, dezembro 11, 2012

Destino


O destino une, separa
Apaga e escreve novos caminhos.
Porém, nem sempre tem a força necessária
Para apagar o antigo escrito.
Criando assim uma espera sem fim...
Pelo final desafiador do inverno.
Gerando uma estampa pálida e borrada
Nas estações da vida.
...
Às vezes o destino é feito de horas sem tempo
Ele passa rápido, em redemoinho.
Arrancando as folhas do calendário.
Dissipando os dias
Consumindo as horas.
Deixando no ar um amargo...
Pelas lacunas não preenchidas.
...
No entanto
Ele também pode acariciar uma longa viagem...
Brincando com as tintas de uma tela em branco.
Embala o tempo com esperança e leveza
Tendo a evidência das nuances dentre as cores.
A escorrer-lhe em pinceladas piedosas 
Pelas pontas dos dedos.
...
Isso significa que o seu toque pode ser...
Rude ou suave
Gélido ou quente.
Mas é fato 
Que muita coisa depende da gente.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Há caminhos...


Há caminhos...  De espinhos, sozinhos, sombrios.
Outros tantos encruzilhados, desenhados, traçados.
Marcados de lágrimas, de tropeços e cansaço.
Tênues linhas de sorrisos revelados, florescidos.
Enternecidos pela fé, pela coragem e confiança.
Cinzelados em pegadas de esperança!
Distanciam diversas, tatuadas na pele do tempo.
Independente das escolhas...
...Há caminhos.


sábado, dezembro 08, 2012

Quando o poema me acorda


Há dias em que acordo o poema dentro de mim
Em outros é o poema que me acorda.
Despertando a sensibilidade que me habita
E tudo me fascina no inteiro que me olha...
Há tanto do mundo no mundo
A descortinar-me amplamente a visão
Que me transborda na retina.
Diante dos desabrochamentos que nada esconde
Sinto a alma do mundo repleta
 A encher-me os olhos de humildade...
Em sua plenitude eis o poema.


sexta-feira, dezembro 07, 2012

Paciência


Acolho os meus invernos
Para contemplar a delicadeza da primavera.


Às vezes há em mim dias frio
 A me encharcarem o coração.
Dias assim me fazem guardar o amor
Ele fica lá, quietinho, ao abrigo
À espera do calor.
Aquele calor que chega suave
Destrancando-me as fortalezas
Aquecendo-me a alma e coração
Em busca de reascender-me a chama...
 Feita unicamente para despertar-me à primavera.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Borboletas na alma


Borboletas na alma... 
São elas que me trazem de volta dos meus abismos
Permitindo assim que eu viva dentro dos meus próprios sonhos
Ao mesmo tempo em que rompe em mim o inesperado
Essa minha inquietude pelas nuances da vida
Posto que rasga em meu peito a dualidade...
Desde a hesitação da dúvida a segurança da certeza
O repouso da paz ao desassossego da guerra
A consolação da esperança ao pânico do medo
Vou do transbordo da felicidade à apatia da tristeza
Da fragilidade da transparência ao mistério do segredo
E no meio de tantas idas e vindas
O elo que me mantém são as borboletas na alma
Indispensáveis ao meu equilíbrio
Tornam-me humana, inteira...
Borboletas na alma são como ostras
Retém a  delicadeza em meio às cicatrizes.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Minha família


Minha família é assim...
Essência unida
Coisas do coração.
De passado e presente nas mãos.
Às vezes a gente se diverge
Porém, nos reinventamos...
Damos oportunidades para o perdão.
Aquele perdão que faz brotar um sorriso manso
Direto do coração.
A minha família é assim...
De ombros largos
Nos momentos de acalentar
A despedida e o choro.
No entardecer da saudade que se faz.
Mas também nos transbordamos 
Em risadas com gosto de manhãs.
Aquelas manhãs escancaradas...
Que fazem o sol acordar por entre as nuvens.
Somos calor, amor.
Entrelaçados de laços sinceros
 Ricos e eternos.
Na presença e na ausência
Na despedida e na chegada.
 Somos atos de fé e esperança no inexato da vida.
Quando esta nos assinala com suas marcas...
Desde o inebriante nascimento de uma criança
Ao indelével vinco deixado por um adeus.
Minha família é assim...
Casa de portas e janelas abertas.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Sentimento em clorofila


Foi debaixo de uma tempestade
Que venci o meu medo da chuva.
Estive bem no meio dela,
Dentro de um espelho d'água.
E observei-me além do reflexo... 
Refletido estava os vincos nos cantos dos lábios.
Testemunho das emoções vividas.
Desde os ternos sorrisos
Aos gritos que dei.
Também mirei um pigmento esquecido no fundo da íris.
E sob um novo prisma
 Revi tudo que tentei ser
Tudo que fui e sou.
Compreendi que à sombra do olhar cansado.
Além da mulher que me olhava
Existe uma alma florida.
Que ainda conserva a ternura das cores.
Essa mulher olhou para ela mesma.
E entendeu que ela não é apenas um momento
Mas sim a soma de cada centímetro do que já foi.
E continua sendo.
...Ela é totalidade!
Foi nesse exato instante que me convenci
Que há em mim um verde que não amadurece.
A pintar-me a vida de esperança.
Um verde que me ensina e permanece.
É dele que veio minha resistência às tempestades.


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores