REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

sábado, dezembro 15, 2012

Laços


Escondidos nas linhas do tempo 
Estão os detalhes da nossa história.
Momentos vividos
Esquecidos, adormecidos...
Mas cá dentro do peito ainda espero sentir
Aquela antiga intensidade ao te ver.
Quando o amor não me cabia nos olhos.
E de mansinho se acomodava ao fundo da alma.


terça-feira, dezembro 11, 2012

Destino


O destino une, separa
Apaga e escreve novos caminhos.
Porém, nem sempre tem a força necessária
Para apagar o antigo escrito.
Criando assim uma espera sem fim...
Pelo final desafiador do inverno.
Gerando uma estampa pálida e borrada
Nas estações da vida.
...
Às vezes o destino é feito de horas sem tempo
Ele passa rápido, em redemoinho.
Arrancando as folhas do calendário.
Dissipando os dias
Consumindo as horas.
Deixando no ar um amargo...
Pelas lacunas não preenchidas.
...
No entanto
Ele também pode acariciar uma longa viagem...
Brincando com as tintas de uma tela em branco.
Embala o tempo com esperança e leveza
Tendo a evidência das nuances dentre as cores.
A escorrer-lhe em pinceladas piedosas 
Pelas pontas dos dedos.
...
Isso significa que o seu toque pode ser...
Rude ou suave
Gélido ou quente.
Mas é fato 
Que muita coisa depende da gente.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Há caminhos...


Há caminhos...  De espinhos, sozinhos, sombrios.
Outros tantos encruzilhados, desenhados, traçados.
Marcados de lágrimas, de tropeços e cansaço.
Tênues linhas de sorrisos revelados, florescidos.
Enternecidos pela fé, pela coragem e confiança.
Cinzelados em pegadas de esperança!
Distanciam diversas, tatuadas na pele do tempo.
Independente das escolhas...
...Há caminhos.


sábado, dezembro 08, 2012

Quando o poema me acorda


Há dias em que acordo o poema dentro de mim
Em outros é o poema que me acorda.
Despertando a sensibilidade que me habita
E tudo me fascina no inteiro que me olha...
Há tanto do mundo no mundo
A descortinar-me amplamente a visão
Que me transborda na retina.
Diante dos desabrochamentos que nada esconde
Sinto a alma do mundo repleta
 A encher-me os olhos de humildade...
Em sua plenitude eis o poema.


sexta-feira, dezembro 07, 2012

Paciência


Acolho os meus invernos
Para contemplar a delicadeza da primavera.


Às vezes há em mim dias frio
 A me encharcarem o coração.
Dias assim me fazem guardar o amor
Ele fica lá, quietinho, ao abrigo
À espera do calor.
Aquele calor que chega suave
Destrancando-me as fortalezas
Aquecendo-me a alma e coração
Em busca de reascender-me a chama...
 Feita unicamente para despertar-me à primavera.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Borboletas na alma


Borboletas na alma... 
São elas que me trazem de volta dos meus abismos
Permitindo assim que eu viva dentro dos meus próprios sonhos
Ao mesmo tempo em que rompe em mim o inesperado
Essa minha inquietude pelas nuances da vida
Posto que rasga em meu peito a dualidade...
Desde a hesitação da dúvida a segurança da certeza
O repouso da paz ao desassossego da guerra
A consolação da esperança ao pânico do medo
Vou do transbordo da felicidade à apatia da tristeza
Da fragilidade da transparência ao mistério do segredo
E no meio de tantas idas e vindas
O elo que me mantém são as borboletas na alma
Indispensáveis ao meu equilíbrio
Tornam-me humana, inteira...
Borboletas na alma são como ostras
Retém a  delicadeza em meio às cicatrizes.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Minha família


Minha família é assim...
Essência unida
Coisas do coração.
De passado e presente nas mãos.
Às vezes a gente se diverge
Porém, nos reinventamos...
Damos oportunidades para o perdão.
Aquele perdão que faz brotar um sorriso manso
Direto do coração.
A minha família é assim...
De ombros largos
Nos momentos de acalentar
A despedida e o choro.
No entardecer da saudade que se faz.
Mas também nos transbordamos 
Em risadas com gosto de manhãs.
Aquelas manhãs escancaradas...
Que fazem o sol acordar por entre as nuvens.
Somos calor, amor.
Entrelaçados de laços sinceros
 Ricos e eternos.
Na presença e na ausência
Na despedida e na chegada.
 Somos atos de fé e esperança no inexato da vida.
Quando esta nos assinala com suas marcas...
Desde o inebriante nascimento de uma criança
Ao indelével vinco deixado por um adeus.
Minha família é assim...
Casa de portas e janelas abertas.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Sentimento em clorofila


Foi debaixo de uma tempestade
Que venci o meu medo da chuva.
Estive bem no meio dela,
Dentro de um espelho d'água.
E observei-me além do reflexo... 
Refletido estava os vincos nos cantos dos lábios.
Testemunho das emoções vividas.
Desde os ternos sorrisos
Aos gritos que dei.
Também mirei um pigmento esquecido no fundo da íris.
E sob um novo prisma
 Revi tudo que tentei ser
Tudo que fui e sou.
Compreendi que à sombra do olhar cansado.
Além da mulher que me olhava
Existe uma alma florida.
Que ainda conserva a ternura das cores.
Essa mulher olhou para ela mesma.
E entendeu que ela não é apenas um momento
Mas sim a soma de cada centímetro do que já foi.
E continua sendo.
...Ela é totalidade!
Foi nesse exato instante que me convenci
Que há em mim um verde que não amadurece.
A pintar-me a vida de esperança.
Um verde que me ensina e permanece.
É dele que veio minha resistência às tempestades.

sexta-feira, novembro 30, 2012

Solidão embrionária



Agrilhoada no arrastar das asas do tempo
Na longa espera pela libertação
A melancolia embrionária não adormecia.
E enquanto lá permaneceu
Mergulhou em doído silêncio
O silêncio da espera
Muito além da sua escolha.
Sedosamente envolvida no dolorido casulo
Aguardou pelo momento da metamorfose.
Numa ávida sofreguidão de quem pela luz espera
Temeu pelo precioso momento.
Mas, eis que chega o instante desejado...
Com certa dose de ansiedade
Removeu-se do alvéolo
Abriu suas magoadas asas
E levantou voo.
com polida "indulgência" compreendeu
 Que a diferença entre o voo e o casulo
É apenas uma linha tênue.
 Revelando os opostos fundamentais da vida.
Onde as concepções dos mesmos se revelaram "similares"
Um território de dolorosa solidão
Que está muito além do ornamento das cores.

terça-feira, novembro 27, 2012

Oração de gratidão


Eu lhe sou grata...
Pelas vezes que teu olhar posou sobre mim
E enxergou além do meu aspecto
Vendo o melhor que posso ser...
O excepcional oculto pelo habitual.
Sou-lhe grata pela sua capacidade de permanecer
Abraçando-me num laço transcendente
Enquanto a sua força me reinventava...
Com cores de esperança.
Sou-lhe grata por ficar ao meu lado
Dentro da minha solidão
Abrindo-me os olhos para a glória de mais um dia
Quando a minha vontade era de dormir e dormir...
Ante a angústia de mais um dia cinzento.
Mas você me ensinou a resistir
Dando-me a resistência de um cacto no deserto
Deu-me raízes profundas...
Indispensáveis à minha sobrevivência.
Fez-me compreender que eu poderia ter cores
Apesar da aridez que se estendia a minha frente.
Sou-lhe grata pela paz do sono, meu exílio...
Quando dentro de mim habitava o caos.
Adormecendo minhas lembranças
Sedimentada em "carne viva"
Os meus meus olhos fechavam-se.
Sou-lhe grata por ser meu espelho
Enquanto eu ensaiava um sorriso diante das dores.
Um ensaio cansativo esse...
Pois por vezes era-me duro disfarçar
Uma tristeza que persistia e persistia.
Porém com o tempo aprendi
A simular a máscara do disfarce
Diante das agruras da vida.
E sorrio cada vez mais
Diante dos sorrisos retribuídos...
Que em grande maioria são sorrisos débeis, 
Desinteressados e desabitados de calor.
 Máscaras e mais máscaras!
Falta de essência ou carência?
Quem sabe...
Na verdade o mundo é uma ferida aberta
Onde cada um dói e sangra sozinho.
Pode o meu sorriso julgá-los?
Não, com certeza que não.
Pois aprendi que ficar de alma aberta
Dói bem mais que um sorriso mascarado.
E que às vezes não vale a pena expor a minha nudez.
Pois nem sempre há olhos que possam enxergar...
O matiz da mulher que há em mim.
E não saberiam discernir
 Os diferentes tons que me habitam.
Haveriam de se ter olhares
Semelhante ao olhar agraciado que me olhaste.
Trespassando o inteiro do meu profundo.
Sobrepondo-se sobre a minha sensibilidade
Para o colorido que me habita...
Apesar dos meus pesares.
Portanto sou-lhe grata por esse estado de graça
Nesse mundo bonito que você me ofereceu...
Quando suas mãos pousaram sobre as minhas
E sob as tuas mãos repousei.

Obrigado Deus meu!


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores