REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

domingo, novembro 25, 2012

(Eu) Fusão de fantasias


Ela é margarida colorida
Mas na intensidade é rosa.
Sim, essa sou eu.
Despindo-se da essência na mulher.
A que tem a fortaleza no coração
E a fragilidade do mesmo.
Aquela que é mais sonho que realidade.
E porque não? 
Sim...
Sou devaneio, imaginação, poesia.
Sou o livro aberto... 
A história que se entremeia de emoção.
Nas páginas escritas com afeição.
Não sou a prudente, a que exala praticidade.
Sou variedade conforme a necessidade...
Não me acerto com a exatidão.
Mas sim com a sensibilidade do coração.
Sou aquela que não aguenta se segurar por dentro.
Sou a que machuca
A que chora
Que dói e sangra as dores do mundo.
Filha da entardecida e doce melancolia.
Também sou do tipo: romântica incurável
A quase sempre vulnerável...
Na mutável dualidade de uma união.
Igualmente sou presença, companheira... 
Nas horas certas e incertas.
Não sei caminhar em linha reta, sem apego.
Meu caminho é assim: Imensidão...
Olhos que volteiam ao redor, carregados de afeição.
Demasiadamente ternura, crença, pulsação.
Carrego um espírito bordado à mão.
Onde os sentimentos acontecem
Sem necessidade de pretexto ou razão.
Sou a subjetividade da fé sem a teoria da religião.
A que crê na infinidade de Deus, 
Do caminho e da vida.
Sem complexidade ou explicação.
Todavia, indiscutivelmente concebida.
E eu sou simples assim... A palma da mão.

sexta-feira, novembro 23, 2012

Saudade é uma residente teimosa


Saudade é um sentimento que nos toca.
Mas que tão somente nos diz de outras pessoas
Outros lugares...
Saudade é uma residente teimosa.
Ela chega sem pedir licença
E invade o quintal de nossa alma.
E quando à gente percebe
Ela já assentou acampamento em nosso coração.
Aos poucos preencheu todas as lacunas.
 E acumulou-se nos cantos.
E o pior de tudo...
Saudade é um inquilino melindroso.
Com seu jeito afetado e acabrunhado
Ela fecha todas as janelas e portas.
E entre suspiros e lamentos
Censura-nos pelo presente.
Numa comoção profunda pelo passado.
Respira forte e pausadamente
Por entre ais que nos sufocam.
Nostálgica ela arrasta os chinelos pelo chão.
Numa melancolia entardecida...
Esmorecida chora por alguém
Por alguma coisa.
Ou mesmo, lamenta sem causa.
Por algo que nunca teve.
E insiste em permanecer...
Ora doce e suave.
Outras vezes amuada, amorroada.
Tendo o firme propósito de nos acabrunhar.
Às vezes cede-nos um intervalo...
Uma oportunidade para quebrar o cinza inoportuno.
E descobrir que o mundo é maravilhoso.

segunda-feira, novembro 19, 2012

Dor é a metamorfose em nosso coração


Dor... 
Nem sempre a compreendemos.
E ela nos retalha por dentro...
Aperta-nos a alma sem dó.
Entretanto quando alcançamos
A compreensão do seu propósito.
Ela nos aprimora...
A dor é uma fonte de sabedoria.
Ela nos torna mais equilibrados.
E passamos a agir com mais prudência.
Deixamos de supor... 
E avaliamos melhor nossas atitudes.
 Nossos sentimentos.
A consciência da dor nos faz refletir.
descobrimos que...
O que realmente nos importa
É a intensidade dos momentos vividos.
Ao fundo guardados.
Enquanto o suave da vida nos beija.
É a relevância das pessoas em nossas vidas.
De um tempo impreciso...
No todo da vida.
Dor é a metamorfose em nosso coração.


sábado, novembro 17, 2012

Há sempre um amanhã


A vida tem seus encantos, sua magia.
Ela ergue a barra da saia e caminha.
Tudo se modifica e continua...
Passado, presente e futuro.
Há sempre um novo começo.
Em cadência, o relógio do tempo escreve nossa história.
Já que o mesmo não é um senhor tranquilo 
Balançando em uma rede na varanda.
 Ele tece e deixa suas marcas.
E as tonalidades da vida muda a cada momento.
As cores precisam se espalhar e modificar.
Para terem a harmonia e a essência
Que nos acaricia a pele
Passo a passo da nossa viagem.

sexta-feira, novembro 16, 2012

Olhos da alma


Por entre a minha capacidade de ver
Para mim grande distância ainda é dentro.
Com os olhos alargados em delicadezas
E seguindo o coração vejo a alma do mundo.
Contemplpor cima de uma montanha
A outra montanha dentro de mim.
É daqui que vejo o horizonte
Sem linhas e infinito
Dando-me delicadezas aos olhos.
E não existe direção desejada
Para meu olhar...
Pois nada sei de nada
Aprendo com o vento
Que levanta a vida dos cantos
E convida-me ao enlevo
Num redemoinho de detalhes.
Encantando-me com suas cores e formas
Minha visão ascende-se e penso...
Nossa que mundo maravilhoso!
Tudo é questão de acreditar...
Minhas noites sempre têm estrelas
Meu céu é sempre azul
Em meu jardim sempre há flores
E em minhas flores sempre há mel.
Porque a vida cá dentro é muito mais...
Descobri-me um paraíso.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Aconchego


Na inquietude do meu desespero
Na incompletude da minha alma
Você invadiu-me a casa num abraço.
E eu acreditei tão certo
Que você me teria ao seu lado
Para depois enxergar 
Que me tem é dentro.
Mansamente transpuseste-me o medo
Que me antecedeu a coragem de ter você.
Gentilmente 
Você me sorriu
E sorri de volta
Descansei dos pavores
Das incertezas e das dores
Na paz do seu sorriso
Não é aconchego o nome disso?
____
Após os temporais de quase uma vida
A quietude finalmente e suavemente
Acomodou-se ao fundo da minha alma.
E certamente compreendi
Que a paz é proporcional
A pureza dos sentimentos
E aprendi a dar espaço para ela.
É-me tempo bom!
Feitos de enternecimentos...
-----------
Há tanto amor abrigado nos seus braços
Quando em ti busco repouso
Que me é impossível não enternecer
Pelo lindo caminho  fizeste
Com teus laços de ternuras
Em volta do meu coração.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Uma solidão a dois


As vezes sinto-me tão só em nós
Uma solidão a dois
Harmonizada de laços 
Estendendo os braços
Implorando por abraços
Atados, no tempo constante do depois
Ausências suas, tão minhas, a sós
Desatando o vazio, as estruturas soltas
O retraimento invadindo os nossos espaços
Estendendo em nossa orbita, os embaraços
Distribuído em um casulo cheio de voltas
Florescido de sombria indiferença
Regado pela falta da presença
Da paixão, do calor...
Anoitecidos pela carência do fulgor
Dos afagos das suas mãos.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Arte abstrata


Pelas mãos do tempo a vida faz-me adulta.
Entretanto, sou a criança quando o espírito protesta.
É a face do passado fragmentado no presente
Mesmo quando a vida segue em frente.
E entrego-me à este refúgio complexo
Da infância impingida dentro de mim.
Menina? Mulher?
Refletidas em um espelho tosco.
Não consigo discernir a imagem a olhar-me.
Tortura-me essa menina-mulher
Esmoreço ante essa mulher-menina.
Em meu tronco entrelaçadas.
Diante do impreciso embaçado
Tateio a nebulosa figura.
Procuro por meus traços.
E somente diviso uma alma desunida
Arte abstrata de uma vida.


sábado, novembro 03, 2012

A minha oração


Eu gosto de prece que surge sem efetuar alarde.
De oração que surge do nada... Do tudo.
Quando meu olhar constata a grandiosidade de Deus.
Para a beleza da vida que acende ao meu redor...
Deparando-me com pequenas e grandes coisas.
Algumas tão singelas! 
Que às vezes, somente às vezes,
Parecem esquecidas de olhares mais atentos.
Entretanto sua candura resplandece
Na mais divina prece...
Quando ao meu olhar engrandece e a minha alma enaltece.
Gosto da prece de abrir os olhos a cada manhã.
Da benção que é me dada por mais um dia.
Perante esta resposta tão imediata de Deus à minha pessoa.
Sinto o meu coração elevar-se em forma de oração.
Por saber que uma vez mais
Poderei contemplar tudo e todos que amo.
Então minha alma se curva
Diante a grandeza de mais um dia...
De luta, de dor.
De paz, de amor.
De superação, ante as adversidades que se hão de surgir.
Umas com soluções céleres
Outras em uma velocidade mais lenta.
Todavia minha vida segue a correnteza...
O tic-tac do meu coração.
É quando ouço e faço a minha mais suave oração.

quarta-feira, outubro 31, 2012

O eco do meu silêncio


Há dias em que o meu silêncio é eco mais alto
 Do grito que a minha alma pode dar.
A felicidade? 
Está em algum lugar onde haja sol.
Com um certo amargor na boca
Vejo que o tempo passou rápido demais.
Restando-me somente as lembranças
Um instantâneo para meus dias nublados.
As imagens vão chegando...
Fotografias tão presentes na minha memória.
De algo ou de alguém que ascendeu as minhas cores.
E uma espécie de centelha
Rasga-me o cinza melancólico.
Numa paisagem simples...
Que me ultrapassa a alma 
Em cores bucólicas.
Então ouço a voz do meu silêncio:
Ainda há tempo...
O céu nunca tem as mesmas cores.
E as nuvens jamais permanecem num mesmo lugar.



O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores