REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

quarta-feira, outubro 10, 2012

Quando sopra o vento


Quando sopra o vento 
A sensação é que desloco junto com ele
Translado meus abismos profundos
Perdidos e mil vezes achados
É quando se abrem as cortinas
Ora a mulher gloriosa
Florida, transparente
Ora a outra solitária
 Perdida, carente
Ora ri, ora chora...
A mulher em tons de aquarela
A outra sem rima nas cores
De um lado a alma sem véus 
Do outro a máscara obscura
Fragmentos de uma alma partida
E quanto ao amor?
Entrego-me...
Sou eu por inteira, verdadeira.

segunda-feira, outubro 08, 2012

Agradecimento à poesia... A mão de Deus



Hoje?
Só quero agradecer...
Aos roseirais  com seus galhos entrelaçados
E a delicadeza das cores das suas flores 
Há embriagar-me com seus aromas
Lentamente divago...
Embarco no caminho das nuvens
Que me oferece os voos
E timidamente bato minhas asas
Perambulando pelo firmamento
Com o olhar sempre adiante...
Minh'alma conversa com as estrelas
Encanto-me pela lua, tão cheia de segredos
A brilhar na escuridão
Tantas madrugadas!
Orvalhando minhas manhãs
Em frenesi rodopio aos primeiros raios do sol
A derramar calor aos corações dos homens
No vencer...
... No perder!
Despindo suas almas, escoltando seus sonhos
Quanto céu!
Hoje?
Quero agradecer ao gozo dos ventos
Em idas e vindas
A trazer-me mistérios
Fazendo-me cavalgar as ondas do mar...
Repartindo, compartilhando 
Sua imensidão,
O mais puro lençol de cetim
Tanto mares!
A dádiva das estações do tempo
Onde a vida começa...
... Termina
Eclodem em uma combinação de cores e sons
Arrepio-me...
Ao bailado colorido das aves 
A imponência de seus movimentos
Cortando os céus
Ah! Como me emociono...
Com as cores da magia 
Do balé das borboletas
Nas janelas da minha vida
 Terra! Abençoada morada.
Onde entalhei o meu ninho
Bendito universo... Mão de Deus!
Hoje agradeço
Por me ensinar poesia.

Viagens em teu jardim


Hoje há somente afagos em minhas mãos.
Trago-as molhadas de orvalho
Para que nunca deixam de florescer.
E suavemente amanheço poesia.
Meus pensamentos sobrevoam
A imensidão do tempo.
E cá estou eu.
Devaneio...
Passado, presente e futuro.
Divago em rimas e estrofes.
Palavras ganhando vida... Minha essência
Em viagens de idas e voltas.
E aqui em teu jardim
Faço-me brisa a desfolhar as tuas rosas.
Que se descortinam em idílio.
Embaralhando no ar doce perfume...
 Fragrâncias que recolho
Para o meu aconchego inspirar.
Um interlúdio de sentimentos
Onde se sobrepõem os pensamentos de um poeta.

domingo, outubro 07, 2012

Os mistérios da noite


Os meus sonhos deslizam pela madrugada
A lua prateada é minha anfitriã
Oferece-me o seu brilho 
Em forma de poesia.
E assim as cortinas do tempo desvelam... 
Formas e movimentos
Sonhos, luz, aragens, escuridão
... A magia, a cena.
Que emoldura sentimentos e emoções.
Os mistérios da noite ficam expostos...
Às janelas do mundo
Mestre em devaneios.
Fico ali esquecida...
Adormecida pelo sussurrar dos ventos.
Ouve-se apenas a serenata...
O som que vem e ecoa do coração.
Em suaves carícias a brisa noturna
Vem repousar em meu leito.
Até que o crepúsculo me presenteei com sua chegada.


sábado, outubro 06, 2012

Banhei-me em dilúvio d'água


 Dos escombros da minha loucura, renasci
Rasgou-se o céu em nuvens 
E banhei-me em dilúvio d'água
E foi sob a chuva fria 
Que descortinei minhas retinas...
Irrompi o nevoeiro que me encobria à alma
Sou ilha banhada de águas límpidas
Despida da roupagem do passado
Vislumbro novas matizes
E sobre a placidez cristalina
Mergulho o meu olhar...
 Nos recônditos encarcerados do meu inconsciente
A solidão é a primeira a escorrer
Traçando trilhas na face do tempo
Limpando as lembranças já mofadas
Quero manchar de cores primaveris esse aguaceiro
Estou preparada para gritar de peito aberto
E ser flor na imensidão destes mares
Quero dançar sob a lua e as estrelas
Fazendo a viagem pelos labirintos
Da mulher que há em mim.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Voo esperado


Antes de você...
Eu tinha tantos sonhos adormecidos
Cá dentro
Eu sentia que tinha asas
Mas não sabia voar
Como podia?
Uma ave que não voa...
Eu podia ver as plumagens
Mas a minha alma não sentia as penas
Bendita conspiração do universo
Que escreveu o nosso encontro
Um precisava do outro
De um lado eu temerosa
Cheia de medos e anseios
Do outro você...
Alma sofrida, marcada pela desilusão
Mas que trazia a esperança nas mãos
E na resistência do seu tronco
Foi onde me abriguei
E eis que todo meu ser
Alçou um suave bailado
Lancei-me na plenitude
E voarei... Até onde os sonhos me levarem.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Desatino amargurado


Eu vi uma lágrima passando
Deverás ia em silêncio
E não quis dizer-me de onde vinha
E nem para onde se dirigia
Logo mais passou por mim o sorriso
E sua alegria havia desaparecido
E diz-me que a lágrima ia só
Porque o brilho dos olhos tinha perdido
Então quis saber do sorriso
O porquê do seu riso contrito
Ele disse-me ter visto no espelho
Pálido e exposto
A dor no olhar refletido
Do coração que estava em desgosto
Desatino amargurado de uma alma que cala
E deságua o sofrimento em lágrima.

terça-feira, outubro 02, 2012

oh saudade!


Ah saudade!
 Só quem amou
Sabe onde você mora
Aprendeu a eternizar
Esse sentimento em si
Oh saudade!
Tu és a miragem de um milagre 
Muitas vezes impossível
Um sentimento que nem sempre o olho vê
Porém de uma alma que muito te sente
E enquanto estiver lá...
É permitida certa melancolia
Tempos?
Passado, presente, futuro
A senhora lembrança...
A suave ou dolorida recordação
De algo ou alguém que se deseja de volta
É a nossa história.



segunda-feira, outubro 01, 2012

A esperança é uma criança


Procuro em mim 
A criança que ri inocente
Do brilho distante das estrelas.
Na imensidão da minha solidão
A criança se perdeu...
Porque insisto em seguir?
Quiça o direito de ser feliz!
Dentro de mim existe...
A criança que ainda não viveu.
Até que eu encontre o caminho...
...o retorno à inocência.
Ofereço-me estrelas...
Que me caem pelos olhos!
Uma constelação especialmente para mim.

  

Folha seca


Ainda que seja outubro
Eu já espero pelo outono
A bater-me nas janelas...
Espero pelos ventos
Despindo as copas das árvores
E nuvens de folhas claras e escuras
Cobrindo todo o chão
Espero pelo sorriso do sol
Em pequenos raios
Abraçar as montanhas
Sob um horizonte manchado de nuvens
Em vários tons de cinzas
Assim, encostada a janela
Fico a espera...
Fico ali até o cair da noite
Sozinha com uma folha seca
Agarrada às costas
Esperando pelo renovo.



O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores