REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

domingo, outubro 07, 2012

Os mistérios da noite


Os meus sonhos deslizam pela madrugada
A lua prateada é minha anfitriã
Oferece-me o seu brilho 
Em forma de poesia.
E assim as cortinas do tempo desvelam... 
Formas e movimentos
Sonhos, luz, aragens, escuridão
... A magia, a cena.
Que emoldura sentimentos e emoções.
Os mistérios da noite ficam expostos...
Às janelas do mundo
Mestre em devaneios.
Fico ali esquecida...
Adormecida pelo sussurrar dos ventos.
Ouve-se apenas a serenata...
O som que vem e ecoa do coração.
Em suaves carícias a brisa noturna
Vem repousar em meu leito.
Até que o crepúsculo me presenteei com sua chegada.


sábado, outubro 06, 2012

Banhei-me em dilúvio d'água


 Dos escombros da minha loucura, renasci
Rasgou-se o céu em nuvens 
E banhei-me em dilúvio d'água
E foi sob a chuva fria 
Que descortinei minhas retinas...
Irrompi o nevoeiro que me encobria à alma
Sou ilha banhada de águas límpidas
Despida da roupagem do passado
Vislumbro novas matizes
E sobre a placidez cristalina
Mergulho o meu olhar...
 Nos recônditos encarcerados do meu inconsciente
A solidão é a primeira a escorrer
Traçando trilhas na face do tempo
Limpando as lembranças já mofadas
Quero manchar de cores primaveris esse aguaceiro
Estou preparada para gritar de peito aberto
E ser flor na imensidão destes mares
Quero dançar sob a lua e as estrelas
Fazendo a viagem pelos labirintos
Da mulher que há em mim.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Voo esperado


Antes de você...
Eu tinha tantos sonhos adormecidos
Cá dentro
Eu sentia que tinha asas
Mas não sabia voar
Como podia?
Uma ave que não voa...
Eu podia ver as plumagens
Mas a minha alma não sentia as penas
Bendita conspiração do universo
Que escreveu o nosso encontro
Um precisava do outro
De um lado eu temerosa
Cheia de medos e anseios
Do outro você...
Alma sofrida, marcada pela desilusão
Mas que trazia a esperança nas mãos
E na resistência do seu tronco
Foi onde me abriguei
E eis que todo meu ser
Alçou um suave bailado
Lancei-me na plenitude
E voarei... Até onde os sonhos me levarem.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Desatino amargurado


Eu vi uma lágrima passando
Deverás ia em silêncio
E não quis dizer-me de onde vinha
E nem para onde se dirigia
Logo mais passou por mim o sorriso
E sua alegria havia desaparecido
E diz-me que a lágrima ia só
Porque o brilho dos olhos tinha perdido
Então quis saber do sorriso
O porquê do seu riso contrito
Ele disse-me ter visto no espelho
Pálido e exposto
A dor no olhar refletido
Do coração que estava em desgosto
Desatino amargurado de uma alma que cala
E deságua o sofrimento em lágrima.

terça-feira, outubro 02, 2012

oh saudade!


Ah saudade!
 Só quem amou
Sabe onde você mora
Aprendeu a eternizar
Esse sentimento em si
Oh saudade!
Tu és a miragem de um milagre 
Muitas vezes impossível
Um sentimento que nem sempre o olho vê
Porém de uma alma que muito te sente
E enquanto estiver lá...
É permitida certa melancolia
Tempos?
Passado, presente, futuro
A senhora lembrança...
A suave ou dolorida recordação
De algo ou alguém que se deseja de volta
É a nossa história.



segunda-feira, outubro 01, 2012

A esperança é uma criança


Procuro em mim 
A criança que ri inocente
Do brilho distante das estrelas.
Na imensidão da minha solidão
A criança se perdeu...
Porque insisto em seguir?
Quiça o direito de ser feliz!
Dentro de mim existe...
A criança que ainda não viveu.
Até que eu encontre o caminho...
...o retorno à inocência.
Ofereço-me estrelas...
Que me caem pelos olhos!
Uma constelação especialmente para mim.

  

Folha seca


Ainda que seja outubro
Eu já espero pelo outono
A bater-me nas janelas...
Espero pelos ventos
Despindo as copas das árvores
E nuvens de folhas claras e escuras
Cobrindo todo o chão
Espero pelo sorriso do sol
Em pequenos raios
Abraçar as montanhas
Sob um horizonte manchado de nuvens
Em vários tons de cinzas
Assim, encostada a janela
Fico a espera...
Fico ali até o cair da noite
Sozinha com uma folha seca
Agarrada às costas
Esperando pelo renovo.


domingo, setembro 30, 2012

Quando a luz do sol bate na alma


 Você ajudou-me a estar de pé 
Quando ficar de pé é-me tão difícil.
Estar de volta...
Ao mundo real
De olhos abertos para o novo.
Será que devo?
Romper o lacre.
E mostrar o primitivo
Transmutar de sentimentos.
Em minhas almas desencontradas.
Estar de pé...
Uma realidade quase impossível
De suportar.
Experimento o ato de desembrulhar-me.
Entro e saio.
Desnudo-me aos teus olhos.
Cinzelada por tuas mãos
Amparada por teus braços.
Com espanto de aprendiz
Entrego-lhe o coração despido.
Transpareço...
Razão, emoção, amor.
Erguida sobre os ossos dos pés
No corpo
Na alma.
Vagarosamente deixo-me ir...
Brota uma nova mulher cá dentro.
Pronta para o amor.


Mergulhei em mim


Perdi-me...
Por quê?
Tenho becos 
Linhas bifurcadas
De tudo que em mim procuro
Encontro-me...
Eternamente desencontrada
Conheço-me...
Mesmo que não me conheça
 E descobri que a pior prisão
 É aquela onde não existe muralha
Mas não há como fugir
e na minha ânsia de escapar
Não encontro o ponto de chegada
Talvez não haja saída
Porque me encontro no profundo
Mergulhei em mim...
Em caminhos 
Que possivelmente seja apenas miragem 
Entretanto tenho o consolo
De encontrar a minha origem no fundo
A minha garra
Essa força que me faz continuar
Através das ilimitadas veredas.




Ela às vezes parecia segurar o mundo nas pontas dos dedos
Pintava a vida com pétalas de primavera
Ela era assim... fragilidade e imensidão
Carregava as mãos cheias de sonhos,
De vida e vitalidade
Iluminando a escuridão através da sua ternura
Era um poema pintado, sonhado.
Havia amanhecer nos seus gestos
Era o próprio outono a abraçar o horizonte
E as dores do inverno.
Ela... Quase céu
Quase nuvem em lume por meio da sua luz
Mas era apenas ela simples e bela
Vestida de rosa carmim
A própria delicadeza
Uma dessas pessoas a cercar-nos como heras,
Ornamentando os muros de nossas vidas.
Trazia o amor desaguando pelos olhos
E ficar sem a fluorescência dela
Pareceu-me o prematuro final do verão.



O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores