REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

sexta-feira, outubro 05, 2012

Voo esperado


Antes de você...
Eu tinha tantos sonhos adormecidos
Cá dentro
Eu sentia que tinha asas
Mas não sabia voar
Como podia?
Uma ave que não voa...
Eu podia ver as plumagens
Mas a minha alma não sentia as penas
Bendita conspiração do universo
Que escreveu o nosso encontro
Um precisava do outro
De um lado eu temerosa
Cheia de medos e anseios
Do outro você...
Alma sofrida, marcada pela desilusão
Mas que trazia a esperança nas mãos
E na resistência do seu tronco
Foi onde me abriguei
E eis que todo meu ser
Alçou um suave bailado
Lancei-me na plenitude
E voarei... Até onde os sonhos me levarem.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Desatino amargurado


Eu vi uma lágrima passando
Deverás ia em silêncio
E não quis dizer-me de onde vinha
E nem para onde se dirigia
Logo mais passou por mim o sorriso
E sua alegria havia desaparecido
E diz-me que a lágrima ia só
Porque o brilho dos olhos tinha perdido
Então quis saber do sorriso
O porquê do seu riso contrito
Ele disse-me ter visto no espelho
Pálido e exposto
A dor no olhar refletido
Do coração que estava em desgosto
Desatino amargurado de uma alma que cala
E deságua o sofrimento em lágrima.

terça-feira, outubro 02, 2012

oh saudade!


Ah saudade!
 Só quem amou
Sabe onde você mora
Aprendeu a eternizar
Esse sentimento em si
Oh saudade!
Tu és a miragem de um milagre 
Muitas vezes impossível
Um sentimento que nem sempre o olho vê
Porém de uma alma que muito te sente
E enquanto estiver lá...
É permitida certa melancolia
Tempos?
Passado, presente, futuro
A senhora lembrança...
A suave ou dolorida recordação
De algo ou alguém que se deseja de volta
É a nossa história.



segunda-feira, outubro 01, 2012

A esperança é uma criança


Procuro em mim 
A criança que ri inocente
Do brilho distante das estrelas.
Na imensidão da minha solidão
A criança se perdeu...
Porque insisto em seguir?
Quiça o direito de ser feliz!
Dentro de mim existe...
A criança que ainda não viveu.
Até que eu encontre o caminho...
...o retorno à inocência.
Ofereço-me estrelas...
Que me caem pelos olhos!
Uma constelação especialmente para mim.

  

Folha seca


Ainda que seja outubro
Eu já espero pelo outono
A bater-me nas janelas...
Espero pelos ventos
Despindo as copas das árvores
E nuvens de folhas claras e escuras
Cobrindo todo o chão
Espero pelo sorriso do sol
Em pequenos raios
Abraçar as montanhas
Sob um horizonte manchado de nuvens
Em vários tons de cinzas
Assim, encostada a janela
Fico a espera...
Fico ali até o cair da noite
Sozinha com uma folha seca
Agarrada às costas
Esperando pelo renovo.


domingo, setembro 30, 2012

Quando a luz do sol bate na alma


 Você ajudou-me a estar de pé 
Quando ficar de pé é-me tão difícil.
Estar de volta...
Ao mundo real
De olhos abertos para o novo.
Será que devo?
Romper o lacre.
E mostrar o primitivo
Transmutar de sentimentos.
Em minhas almas desencontradas.
Estar de pé...
Uma realidade quase impossível
De suportar.
Experimento o ato de desembrulhar-me.
Entro e saio.
Desnudo-me aos teus olhos.
Cinzelada por tuas mãos
Amparada por teus braços.
Com espanto de aprendiz
Entrego-lhe o coração despido.
Transpareço...
Razão, emoção, amor.
Erguida sobre os ossos dos pés
No corpo
Na alma.
Vagarosamente deixo-me ir...
Brota uma nova mulher cá dentro.
Pronta para o amor.


Mergulhei em mim


Perdi-me...
Por quê?
Tenho becos 
Linhas bifurcadas
De tudo que em mim procuro
Encontro-me...
Eternamente desencontrada
Conheço-me...
Mesmo que não me conheça
 E descobri que a pior prisão
 É aquela onde não existe muralha
Mas não há como fugir
e na minha ânsia de escapar
Não encontro o ponto de chegada
Talvez não haja saída
Porque me encontro no profundo
Mergulhei em mim...
Em caminhos 
Que possivelmente seja apenas miragem 
Entretanto tenho o consolo
De encontrar a minha origem no fundo
A minha garra
Essa força que me faz continuar
Através das ilimitadas veredas.




Ela às vezes parecia segurar o mundo nas pontas dos dedos
Pintava a vida com pétalas de primavera
Ela era assim... fragilidade e imensidão
Carregava as mãos cheias de sonhos,
De vida e vitalidade
Iluminando a escuridão através da sua ternura
Era um poema pintado, sonhado.
Havia amanhecer nos seus gestos
Era o próprio outono a abraçar o horizonte
E as dores do inverno.
Ela... Quase céu
Quase nuvem em lume por meio da sua luz
Mas era apenas ela simples e bela
Vestida de rosa carmim
A própria delicadeza
Uma dessas pessoas a cercar-nos como heras,
Ornamentando os muros de nossas vidas.
Trazia o amor desaguando pelos olhos
E ficar sem a fluorescência dela
Pareceu-me o prematuro final do verão.


sábado, setembro 29, 2012

Refém do desencanto


Ela mantêm os olhos fechados
Que molham as próprias pálpebras
Enquanto a felicidade passa ao seu lado
O encanto pela vida está trancado.
Ela jogou fora todas as chaves
Das gavetas de sua alma.
Ouves os seus ais
Silenciados em sua garganta?
Lágrimas que não caem
Que não escorrem
Não molham e não lavam...
Reféns do desencanto
Refugiadas neste triste pranto!
Eu a vi sentada na varanda
Enquanto as manhãs lhe pintavam
Em tons a pele.


sexta-feira, setembro 28, 2012

À espera das flores das manhãs


O meu olhar anseia as janelas abertas
Cravo no rosto um sorriso escancarado
E abro os braços num abraço...
À espera das flores pelas manhãs.
À felicidade que me há de chegar.
Aurora?
Sim!
É a chama acesa
Por cima das cinzas.
Cá dentro já não é noite,
É céu rasgado em cores.
Tão dentro de mim
Que me vaza arco-íris pelos olhos.
Fecho a porta atrás de mim
E invento o meu horizonte.
Por quanto tempo?
Até onde meu olhar alcançar.





O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores