REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

quinta-feira, junho 21, 2012

Promessas estagnadas


De repente percebi que estava vazia de mim
De ti, do nosso amor...
E em minhas raízes nuas
 Senti a solidão úmida do chão.
Umedecidas pelos teus mares de promessas...
Que se estagnaram em águas
Profundas e escuras.
E é nestas águas que hoje mergulho
Dando braçadas a procura 
Das juras prometidas.
Mas apenas me vejo submersa...
 Em um lago de palavras adormecidas
E esquecidas pelo tempo.


Ser poeta


Ser poeta...
 É ter nas pontas dos dedos
Todas as promessas do mundo.
E bordá-las em fios de seda.
Ser poeta
É sentir a solidão e o silêncio
Que há no interior das pedras.
E abrigá-los dentro dos versos...
Ser poeta
 É desvendar os mistérios que se escondem 
No interior das pálpebras do tempo.
E dar asas à imaginação...
Ser poeta
É procurar novos caminhos
Para a cegueira da humanidade.
E libertá-los da escuridão...
Ser poeta
É rasgar do seio da terra
Os segredos aninhados...
E despi-los nos versos de um poema.
Ser poeta
É abranger todos os horizontes...
Sem ter medo de voar.
Ser poeta
É virar a alma do mundo do avesso
E contemplar a poesia.
Ser poeta é ver o mundo sem janelas
Somente imensidão...
Bem ao alcance das mãos.

domingo, junho 17, 2012

Obrigado por tudo... Vida


Obrigado por tudo!
Vida.
Por tudo lhe sou agradecida.
Pelo tempo de minha jornada
Por todos os caminhos que fiz.
Por tudo que me ensinaste...
Quando me ofereceste o equilíbrio
E a sabedoria de mudar
Sem perder-me de minhas raízes.
Obrigado vida!
Pelo presente que vivo
Pela esperança do futuro
E por escrever-me um passado.
Pelos dias no tempo marcados
Quando pedradas de ti recebi...
Mas confesso que com elas assinalei
Os passos por mim percorridos.
E de todas as marcas obtidas
Construí o melhor que eu sou.
se hoje eu sei mais que ontem
É por conta das lições que me passou.
E que às vezes os sonhos
Podem-me ser roubados...
Porém o direito de sonhá-los 
Não me há como ser tirados.
Sonhos de olhos abertos!
Sonho de olhos fechados!
Eles me são o peso na balança.
Do valor que tens... Oh vida.
Porquanto são deles que vêm
A minha vontade de viver.
E também me fizeram entender 
Que ninguém escapa de sofrer.
Mas enquanto bater meu coração
Agradeço a ti com emoção...
Obrigado pelo direito de nascer.

Brotos do meu jardim


Em meu jardim derramam-se aromas
Pertence às rosas, o cheiro.
Pela brisa esta espalhada no ar
A fragrância típica  do florescer.
Em meu jardim há varias cores
Desabrocham-se em pétalas de flores.
Desabrocham a vida...
Em cada flor que contemplo nascida.
Enchem-me os olhos de encanto
A magia de cada recanto.
Colho nas pontas dos dedos
O orvalho que cobrem seus galhos.
Em meu jardim também existem espinhos
Característicos de todo viver.
Entretanto lhes há juntado os brotinhos...
Enchendo de esperança o meu ser.

Menos do que nada



Não digas nada quando o nada me é tanto
Quando o amor perde todo o encanto
Quando tenho menos do que nada
Do tudo que te ofereci...
Hoje a saudade me abraça
Um longo abraço de lembranças
Vejo nossa paixão verdadeira
Refletida nos olhos profundos da lua
Que me faz tão vazia por dentro
Por tudo, todo o qual nós tivemos...
Há neles o espelho mais triste de mim...
Refletem-me numa face soberana
Da minha alma... A ilusão
Despida... Completamente nua
Diante deste vazio perplexo
Que anula o que já está nulo...
Pois o nada me ocupa por inteira.


(Matheus Rodrigues Aguillar Gera)
 & 

sábado, junho 16, 2012

A rosa


A rosa esteve a sonhar
Em lindas pétalas desabrochar
O jardim ficaria mais perfumado
Pelo seu aroma deixado
Ela só não podia imaginar
Que mãos viriam sua alma podar
.................
Foi podada ainda botão
E seus sonhos jogados no chão.

quinta-feira, junho 14, 2012

Rabiscos revelados



Esboço meus pensamentos
Risco linhas aqui e ali
Estou minha alma a 
                                          revelar
Delineio sentimentos
Que se deslizam serenos
Como uma borboleta a 
                                                desnudar
Rabisco novos caminhos
Em traços de poesia
Onde não deixo de 
                                      sonhar
Assim vou contornando
Desenhando meu horizonte
Vislumbrando um arco-íris a
                                                                        Despontar...

quarta-feira, junho 13, 2012

O reencontro


Para muitos 
Foi bem mais fácil me considerarem louca
Do que me compreenderem.
Entretanto você de mim se aproximou...
Em silêncio me abraçou.
E protegendo-me de mim mesma
Atravessou os meus silêncios...
Desnudando-me por inteira
Rompendo-me o lacre.
Minha porta, tua chave!
E um desejo enorme de escancarar-me...
Desvendando-me todas as senhas.
Soubeste antes de mim
Que as cicatrizes são apenas flores...
A fazer-me um jardim na pele
Numa primavera meio-louca.
Para esconder-me de rigoroso inverno.
A fronteira que me separa dos hipócritas.
E finalmente entendi que depois de ti
Eu sou o meu lado certo.
O reencontro... 
De uma louca com seu mundo
Sua paz.
As feridas da alma foram curadas
Um gesto de ternura
Um olhar
O teu olhar... 
Sobre mim.

Ninho de palavras


Nos versos que escrevo
Quase tudo revelo
E quase tudo escondo.
É tudo o que (não) consigo dizer
São minhas falas...
Que vivem dos meus segredos.
Respiram as verdades não entendidas
Em um modo secreto de tudo dizer.
São meus caminhos de idas
São meus caminhos de volta
Onde espreito a porta entreaberta
E espiono minha alma...
Há silêncios musicais
A germinarem-me no peito
Minha orquestra de palavras.
Onde tudo está (in) certo
No seu lugar!
É a verdade que passou a descrever-me
Sem necessitar da minha boca.
Aprendi que anoitece 
E amanhece em minhas mãos.

Há em mim um poema


Há em mim um poema sendo escrito
Escorre-me nas pontas dos dedos
As cores da minha vida
São sonhos
São momentos
São memórias
Nos versos da minha história
Na poesia dispo a pele, entrego-me
Sou a mulher no ventre, a essência
Sou eu
O antes e toda a esperança do depois
Onde as letras se fizeram em ternura
Cobrindo a nudez da alma minha.


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores