REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

terça-feira, junho 12, 2012

Há esperanças a brotar



Pudesse eu, amado, em ti anoitecer.
Numa viagem sem regresso
Até o amanhecer.
 E prender a eternidade 
Em meio às promessas colhidas.
Pudesse eu, amado, vestir a noite de magia.
 Deixar que a madrugada nos envolvesse...
Materializando os sonhos
Beijados por nossas almas.
Pudesse eu, amado
Em minhas mãos atar as ilusões...
Tecidas por um fio de tempo.
E por um momento apenas
Prender-nos a perpetuidade.
Mas posso eu, amado, guardar dentro de mim.
Tudo o que há para ser sentido
Tudo o que já sei de cor.
Que é quando teu olhar pousa no meu
Fazendo-me acreditar
Que a eternidade passou a acontecer
Quando o amor se fez "presente"
Dentro de cada instante.

domingo, junho 10, 2012

Meu ritual de amor


Gosto desse ritual...
Fico olhando você quieto,
Deslizando com meus dedos
Enquanto você dorme.
De sentir meu coração inundado,
Desse amor desinteressado.
Fico curtindo em mim
O amor que se movimenta,
Com mais intensidade,
Enquanto te observo.
É nesse instante que eu me deparo
Com a minha capacidade de te amar.
Sinto brotar o amor genuíno, 
Enquanto respiro e aspiro lentamente
Ao acarinhar o teu rosto
De mansinho,
Para não te acordar.
Eu rogo aos céus,
Para nos abençoar.


A insônia da noite


Por entre o silencio dos meus olhos,
Vagueiam aves inquietas.
Voam na penumbra do meu olhar,
Percorrem labirintos banhados pelo luar;
Na espera que alvoreça as manhãs.
São sombras,
Onde se escondem meus sonhos;
Na sombria solidão do tempo.
No ondular das suas asas
Deslizam a insônia da noite.
Mas, sempre há de amanhecer.

sábado, junho 09, 2012

É preciso mergulhar no profundo!



Deixa-me emprestar-te meus olhos,
Para que possas desnudar-me por dentro.
E ver-me pela fresta, a alma.
Livre, lírica, intensa...
Onde sou dona do tempo
A pausa e o adianto.
Busco o tempo passado,
Faço um tempo novo.
Onde me perco e me acho...
Sou eu, sou tantas outras!
Nua, crua
Dos sonhos, de mim mesma.
Onde caio, levanto.
Sangro, 
Mas, não morro.
E mesmo com dor,
Ouso levantar novamente,
De novo
E de novo!
Enfrento meus medos
Minhas desilusões e paixões. 
Deixa-me emprestar-te minha boca
Para que me sinta a alma quase a sair por ela.
Em acordes de sentimentos.
E possas ver que há em mim
 Uma janela que pode ser aberta.
Há um jardim a ser visitado
Há muita felicidade a ser conquistada.
Respire
Minha inquietude que acalma.
É preciso mergulhar no profundo
Para que sintas
Que sou feita de fogo e águas.
Sente-me
O que desde sempre busco e vivo.
Meu eu, inteiro.

quinta-feira, maio 31, 2012

Houve um tempo


Houve um tempo...
Em que eu despia minha alma diante de ti.
Despojava-me diante do teu sorriso
E diante do teu olhar eu me perdia.
Houve um tempo
Em que me sussurrava palavras
E eu sorria enquanto te ouvia.
Houve um tempo
Em que me desfazia do cansaço
No calor aconchegante do seu peito.
 Os seus carinhos sustentavam minha solidão.
Houve um tempo
Em que eu acreditava...
Que tinha um grande amor para viver.
E colhi todas as cores do horizonte
Para enfeitar os meus dias.
Despercebida das cores da tarde, que morria.
Foi então que compreendi...
Que era a noite que nascia.
E repousei no meu silêncio,
Silêncio de ave sem ninho.
Houve um tempo...
                     ... Em que caia cores da lua.

quarta-feira, maio 30, 2012

Ela é selvagem


Ela é selvagem
Pirata desbravando a imensidão
Em seu navio navega
Sem temer a escuridão
 Ela inspira perigo
Excede aos redemoinhos
Alma viandante
De cabelos em desalinhos
Ela é tormenta
Sorrateira a esperar
Por quem tenta
Em suas águas navegar
Ela é feroz
Não tem medo dos gigantes
Barbaramente atroz
Devoradora das almas errantes
ela tem os mares
Tatuado na palma da mão.

terça-feira, maio 29, 2012

Re(visão)


Quando você me olhou nos olhos
Eu lhe falei de mim...
Desnudei a minha essência.
Despi de todo pudor
Contei-te sobre o amor.
Mas teu olhar não viu aquela
 Que aos teus olhos estaria nua.
Olhou-me, como uma fugaz brisa...
E teu olhar não me chamou de tua.
Passou por mim
Mas a minha alma não desvendou.
 enfim,
Continuas sem saber quem sou.

A dança da alegria


A orquestra afina os instrumentos,
A moça ensaia os passos de dança.
Instigante combinação...
Sons e movimentos,
Cadência harmoniosa das emoções.
Um quadro perfeito!
A musica, a moça trajando vermelho.
A musica sugere a dança,
A moça baila a musica.
A saia começa agitar
E um doce perfume de rosa,
Deixa no ar espalhar.
Enquanto, frenética rodopia.
A dança da alegria!
Um deslumbrante momento,
Eternizado no ritmo do tempo;
A musica, a moça... A magia.


A flor do amor


Revejo as mórulas do passado,
Catálise adormecida.
Permanente mosaico de cinzas,
No ventre do tempo.
Malogrados capítulos escritos,
Epígrafe maculada!
Engolidora de sentimentos,
Um templo de rosas mortas!
Devoradoras da ilusão.
E percebo...
 Que hoje sou capaz,
De desarmar,
O que me aprisiona a visão.
Pois,
Também contemplo!
A flor do amor.
Seleta e única,
Exposição delicada, perfumada.
A tocar-me o coração!
O recomeço,
A propor-me a paz.

A profundeza do meu próprio eu


Sou sombra nua,
Iluminada pela luz da lua;
A profundeza do meu próprio eu.
Silhueta esboçada no chão,
Que se transforma em breu;
Quando a luz se apaga!
E meu céu se cobre de nuvens.
O frio me consome...
Num despertar de sentimentos.
Conflitantes!
Pela dormência da solidão.
Serei eu inteira sem ti?
 Sinto-me dividida,
Sob a noite escura.
Anseio por tua imagem,
Sinto a saudade acoplada no vazio;
Quase num diluir de mim.
Responda-me a sombra sou eu?
Serei eu apenas uma miragem!



O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores