REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

quinta-feira, maio 31, 2012

Houve um tempo


Houve um tempo...
Em que eu despia minha alma diante de ti.
Despojava-me diante do teu sorriso
E diante do teu olhar eu me perdia.
Houve um tempo
Em que me sussurrava palavras
E eu sorria enquanto te ouvia.
Houve um tempo
Em que me desfazia do cansaço
No calor aconchegante do seu peito.
 Os seus carinhos sustentavam minha solidão.
Houve um tempo
Em que eu acreditava...
Que tinha um grande amor para viver.
E colhi todas as cores do horizonte
Para enfeitar os meus dias.
Despercebida das cores da tarde, que morria.
Foi então que compreendi...
Que era a noite que nascia.
E repousei no meu silêncio,
Silêncio de ave sem ninho.
Houve um tempo...
                     ... Em que caia cores da lua.

quarta-feira, maio 30, 2012

Ela é selvagem


Ela é selvagem
Pirata desbravando a imensidão
Em seu navio navega
Sem temer a escuridão
 Ela inspira perigo
Excede aos redemoinhos
Alma viandante
De cabelos em desalinhos
Ela é tormenta
Sorrateira a esperar
Por quem tenta
Em suas águas navegar
Ela é feroz
Não tem medo dos gigantes
Barbaramente atroz
Devoradora das almas errantes
ela tem os mares
Tatuado na palma da mão.

terça-feira, maio 29, 2012

Re(visão)


Quando você me olhou nos olhos
Eu lhe falei de mim...
Desnudei a minha essência.
Despi de todo pudor
Contei-te sobre o amor.
Mas teu olhar não viu aquela
 Que aos teus olhos estaria nua.
Olhou-me, como uma fugaz brisa...
E teu olhar não me chamou de tua.
Passou por mim
Mas a minha alma não desvendou.
 enfim,
Continuas sem saber quem sou.

A dança da alegria


A orquestra afina os instrumentos,
A moça ensaia os passos de dança.
Instigante combinação...
Sons e movimentos,
Cadência harmoniosa das emoções.
Um quadro perfeito!
A musica, a moça trajando vermelho.
A musica sugere a dança,
A moça baila a musica.
A saia começa agitar
E um doce perfume de rosa,
Deixa no ar espalhar.
Enquanto, frenética rodopia.
A dança da alegria!
Um deslumbrante momento,
Eternizado no ritmo do tempo;
A musica, a moça... A magia.


A flor do amor


Revejo as mórulas do passado,
Catálise adormecida.
Permanente mosaico de cinzas,
No ventre do tempo.
Malogrados capítulos escritos,
Epígrafe maculada!
Engolidora de sentimentos,
Um templo de rosas mortas!
Devoradoras da ilusão.
E percebo...
 Que hoje sou capaz,
De desarmar,
O que me aprisiona a visão.
Pois,
Também contemplo!
A flor do amor.
Seleta e única,
Exposição delicada, perfumada.
A tocar-me o coração!
O recomeço,
A propor-me a paz.

A profundeza do meu próprio eu


Sou sombra nua,
Iluminada pela luz da lua;
A profundeza do meu próprio eu.
Silhueta esboçada no chão,
Que se transforma em breu;
Quando a luz se apaga!
E meu céu se cobre de nuvens.
O frio me consome...
Num despertar de sentimentos.
Conflitantes!
Pela dormência da solidão.
Serei eu inteira sem ti?
 Sinto-me dividida,
Sob a noite escura.
Anseio por tua imagem,
Sinto a saudade acoplada no vazio;
Quase num diluir de mim.
Responda-me a sombra sou eu?
Serei eu apenas uma miragem!


Sonhos velados


Alma errante
Em corpo pulsante
Invadindo a imaginação,
Permeada de minha visão;
Espectadora de o meu rabiscar.
Luz diáfana a se transfigurar,
No retrato que faz pintar.
Em teus contornos
Estampas os sonhos;
Convergidos no imaginário,
Por uma pena molhada!
São sonhos velados,
No fundo da alma amassados.
Hoje,
Embebecidos,
Invadem o papel de nuances.
Transbordam,
Na borda do meu olhar!

segunda-feira, maio 28, 2012

Sou tudo, sou nada


Sou nuances dividida
Sou a alva da madrugada
O negro da despedida
Sou o doce da paixão
O salgado da desilusão
Sou o despertar da vida
A perda da ilusão
Sou a alegria prometida
A lágrima da despedida
Sou a face desnuda
A alma em oculto
Sou a emoção nascida
O sentimento sepulto
Sou dia iluminado de sol
A noite escura sem lua
Sou do porto seguro o farol
O sem saída da rua
Sou eu
Inteira...
Sem eira e nem beira
Estranha sensação de ser
O certo e incerto
Do tudo, do nada.

Estação da ilusão


Permita-me sonhar poesia
Nos versos desencontrados
Que escrevo.
Deixa-me passar,
 Por onde a imaginação me levar.
Pois é aqui perdida
No meio das letras
Que me permito, comigo encontrar!
Num palco formado de falas
Que me compreende
E me preenche os silêncios!
Meu mundo imerso,
Sem freios...
Madrugadas infindas!
Estação da ilusão
Porto dos meus anseios.


Medo de amar


Ele sondava e esperava
Que ela lhe mostrasse 
A face que dele escondia
Pois ela sempre lhe mostrava
A face que da verdade fugia
Guardava no fundo do peito um segredo
Ao amor não se entregava por medo
Por culpa da desilusão...
Quando à outro entregou o coração.
Traçou caminhos
Doou carinhos
Amou em vão.
E hoje por ter medo de amar
Deixou a felicidade passar
Ela não sabe mais ao amor se entregar.
E ele cansado de esperar,
Foi-se em outros mares navegar .


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores