Às vezes,
A maior distância que existe
É o silêncio entre duas pessoas
O silêncio entre as palavras
E se torna tão fácil
Segurar as palavras entre os lábios
Sobretudo quando elas escoam dentro de nós
E se unem numa muralha intransponível
Ascendendo há uma altura sem dimensão
Ficam lá, silenciosas.
Ao mesmo tempo em que...
Ressoam jorrantes e catárticas
Por todo o ventre das nossas almas
Agitam-se violentas e venenosas
Absorvendo-nos a ternura
Das almas que choram
À espera
De serem lançadas em êxodo
Numa enxurrada de palavras ferinas
No mais inteiro e absoluto vulcão
Onde tudo troveja e explode
A face um do outro
E aos poucos nada mais existe
Nada mais se renova...
E das mais lindas palavras ditas
proferidas
Por duas almas apaixonadas
Somente sentem-se os ecos
Cravados no peito
Rendidas,
Pelo cansaço da luta inglória.
(O silêncio tem o poder de unir e desunir pessoas.
Às vezes as palavras precisam ser ditas
Nem que sejam pelo silêncio de um olhar,
Para que a magia possa continuar...)