REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

domingo, maio 13, 2012

Rosas de pedra


Que estou aqui é um fato
Dentre do que nem sei onde.
Na penumbra... 
No interior cinzelado das sombras.
E nada no meu intimo se traduz.
Apenas sinto...
 A pulsação da solidão.
Sinto que morri um pedaço enorme
Onde a primavera existia.
Onde cantavam as cotovias
E piavam as gaivotas.
Mas atualmente
A noite adensa-se obtusa 
Na pele assinalada.
E sem nada que me identifique
Escorro pelas pontas dos meus dedos...
Por entre os escombros
Do tudo que me resta.
Desejosa de escoar-me em ramos
Desabrochar-me-ei 
Num reflorir entre o cinza do mar
E o negro do céu.
Nem que me seja em rosas de pedra.

Há de chegar um dia


Há de chegar um dia que a mim
A chuva miudinha haverá de cair.
Lavando-me as arestas ásperas... 
A arder por entre o lume do meu silêncio.
E desabrocharei ao som do meu canto.
Anseio de alma e coração aberto
Que os meus sonhos não se distanciem
De uma realidade futura...
Onde os estilhaços da tristeza não me atinjam
E nem me aflijam as borboletas do peito.
Que ao alcance da promessa
Possa brotar-me a esperança... 
Do peitoril dos meus dias ensolarados.
E de minha garganta estéril ouvirei o meu canto
Como um pequeno animal que uiva...
Ao beber no regato de uma grande fera.
Quiçá nesse momento
Os meus olhos abertos perscrutar-me-ão...
 E eu não verei nada mais, além de mim.
Do meu destino prescrito
Nas linhas apagadas das minhas mãos lavadas.
Tal qual fênix emergindo das cinzas.

sábado, maio 12, 2012

Delírios na palma da mão


Apetece-me ser o teu cais
Só para te ver chegar
Para quando a mim voltar
Em meus braços descansar
Apetece-me ser tua madrugada
Só para te ver em alvorada
Ao toque das cornetas amanhecer
Em gorjeios da paz anunciada
 Ladainhas em trigo e mel
Apetece-me ser o teu céu
Só para estar contigo em viagem
Abrigada por tuas asas
Que sobrevoa pela imensidão 
Apetece-me ser o teu espaço em negro
Para que preenchas meu espaço em branco
O dia e a noite em risco no papel
O inquietante universo em versos
 Há esboçar-me o lado de dentro
O lado que me espera
Apetece-me ser as cortinas dos teus olhos
 A desvelar-me em íris própria
O meu obscuro prisma 
Na luz que nos fende por dentro
A cavar nossos silêncios...
E ficarei no teu silêncio
Apenas a descansar!
Apetece-me ficar as margens do tempo
A espera do sopro do vento
 Para que me bafeje a vela do barco 
Enquanto,
Respiro devaneio
Delírios na palma da mão
Na espessura dos meus dedos
Desabrochando em espera.


sexta-feira, maio 11, 2012

A outra face


Que os nós de minha existência sejam desatados
Que todos os meus fragmentos sejam atados
Para que eu possa dar novas formas
Ao imaginário de minha memória
E que novamente tenham unidos
Todos os meus sonhos reciclados
Que todos os sentimentos misturados
Tornam-se a essência cristalizada
 E que me faça acreditar 
Na força que retenho em mim
Na leveza de minhas asas soltas
Por entre as pontas dos meus dedos 
O transportar desse perpétuo instante
Da mulher em preenchimento
Carente de amores, carinhos...
Ainda em devaneios
Tais como as fantasias
Que almejam a realidade
Sem lógica compreendida...
A outra face de mim
É que insiste em habitar no vazio
Entre as linhas do pentagrama
Dentro do meu coração
Ausente das notas musicais
Nomeadas por sensações!



( Matheus Rodrigues Aguillar Gera)

quinta-feira, maio 10, 2012

O peso que carrego



Trago em mim, de todos os sonhos,
 Os cacos.
 É esse peso que tenho em meus ombros.
Desde há muito tempo os suporto...
E os carrego na mochila.
Como se fossem um salva-vidas
De todos os sonhos que já sonhei.
Dos tempos em que acreditei
Com a liberdade de voar...
Vôos além do infinito
Entre o sol e o luar!
É esse peso que me sustenta
E não me deixa afundar.
Enquanto desço entre as pedras
Deste rio a desaguar.
Quiçá tudo mude em breve
E sobre águas mansas vou navegar.
E de todo esse peso 
Vou poder me libertar.




quarta-feira, maio 09, 2012

Confisco de emoção!


Esse não é um poema de solidão
É sobre essas figuras enigmáticas
Que tomam conta de mim
E me deixam sem resolução
Somos unidas por cumplicidades
E por ausências...
Vivo a mercê de todas
Confiscada em minhas emoções
Tenho em mim todos os extremos
Vou da alegria as tristezas mais profundas
Tento me esquivar
Acreditando que tudo vai passar
Procuro me defender
Mas minha alma se entrega...
Entre o risco de se romper
A procura do equilíbrio
Às vezes fico imaginando
Se esse cárcere 
Não fui eu mesma que escolhi?
Por questão de sobrevivência!
E que todos esses excessos
Sejam para minha proteção
Que talvez seja melhor eu estar segura
Por um cordel de emoções
Que talvez não me sustentar pela solução
E acabar perdida em minha procura
No profundo da escuridão!

terça-feira, maio 08, 2012

O que existe do lado de lá?



Às vezes temos impulso de tirar o véu
Só para descobrir o que há do lado de lá
Somos ensinados do que devemos fugir
Qual o padrão que devemos seguir
Por qual caminho devemos passar
E o que não devemos fazer
Porém,
 Às vezes queremos saber
E sempre estamos a nos perguntar
O que existe do lado de lá?
Qual o preço a pagar por nossa ousadia?
Por fazermos o que não se devia
Todavia,
Se não arriscarmos 
 Jamais iremos saber...
O que do outro lado nós vamos encontrar!
E o quanto isso irá nos custar
Talvez em demasia só nos queiram assustar
E do outro lado existe somente alegria
E nada pagaremos por nossa teimosia
Mas com certeza eu nunca vou saber
Este é um preço que não quero pagar
A minha pele eu não irei arriscar
E essa dúvida comigo eu vou carregar
Do que me espera do lado de lá.

Eu a antevia


Eu a antevia
Senti-a indefinida
Um cinza entre a luz do meu dia
Entretanto,
 Já a reconhecia
Esperava por ela
A noite que se fez
dentro
No centro
Em mim
A escuridão
Minha solidão!
Esvazia-me as gavetas
Joga meus sonhos ao chão
Tento fugir
Porém,
Sei que é em vão
A noite e o dia
Comigo sempre vão estar
Não me convém escapar
Não existe dia sem noite
Não há noite sem dia
Sei que quando a noite acabar
 Um novo dia irá começar
E de todos os gemidos irei descansar
Em mim novamente o sol vai brilhar!
Eu bem gostaria...
Que em mim não houvesse noite
Que em mim não houvesse dia
Só assim eu seria feliz!

segunda-feira, maio 07, 2012

Ser mãe


 Ser mãe é...
 Acima de tudo uma dádiva
Por ter sido escolhida por Deus
Para receber a maior benção que existe!
É ter o mais rico tesouro 
E dividi-lo com o mundo.
Ser mãe é...
Hospedar dentro de si
Um amor imensurável
E inigualável.
Ser mãe é ser inteira coração
Ser doação...
Quando se carrega no ventre a semente
E a irriga com a seiva de sua vitalidade
Sentindo essa semente brotando
Germinando em suas entranhas,
 Deixando-a tão frágil e forte ao mesmo tempo
Ser mãe é...
Acolher nos braços o filho tão esperado
Um momento único entre mãe e filho
Feito da mais pura ternura que existe 
E descobrir que qualquer outro sentimento
Torna-se pequeno 
Comparado ao de ter um filho nos braços
E saber que 
Ao mesmo tempo em que daria a vida pela dele
Quer-se viver mais
Para ver o filho crescer
E direcioná-lo nos primeiros passos dados
Ser mãe é...
É olhar para o ninho vazio
E sorrir com o coração apertado
Sabendo que ele está voando sozinho
Pondo em prática o que lhe foi ensinado
Entretanto,
Aquele filho que tem no coração
Os ensinamentos da sua mãe
Saberá por onde andar
Saberá quais suas raízes
Ele saberá que pode ir e voltar
Para aquela que o está a esperar
Aquela que o ama de forma incondicional
Que é seu o porto
O seu lar... Sua Mãe.


sábado, maio 05, 2012

Só por hoje de rosa vou vestir


Decidi...
Que hoje vou vestir-me de rosa
De certo modo a minha alma encobrir
Silenciosamente, a realidade que a cerca...
No oceano da verdade atroz
Sufocada pela dor da saudade
O grito mudo de um coração em pedaços
 Decidi...
Que vou sorrir, mesmo tendo vontade de chorar!
E quando a noite chegar
Trazendo consigo a escuridão
Deixarei somente uma lágrima rolar
Zombeteira, 
Desenhando-me a dor pela face... A solidão!
Decidi...
Que quero deslizar por aí
Andando nas pontas dos pés
Flutuando na cor que me veste...
Decidi...
Que só por hoje de rosa vou vestir!




O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores