REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

quinta-feira, maio 03, 2012

Aprendendo a amar


O amor ao próximo 
É uma das tarefas mais difíceis que já nos foi dada
Um amor de dentro pra fora
 E de fora pra dentro
Amamos as cegas, 
Tateando, procurando
Um amor sem saber nada
Pois o coração de cada um é um poço profundo
Que esconde os sentimentos de suas almas
Conhecemos parcialmente os desejos 
As vontades de cada um
 Aprendemos sobre os seus gostos
Suas manias
 Mas o que lhes vai à alma?
Quais os sonhos e frustrações
 Que lhes estão encobertos pelo véu dos olhos?
Quais as cicatrizes na pele de vossas almas?
Pois todos nós as temos!
Porque tantas vezes ficamos surpresos 
Com determinadas atitudes tomadas por alguém
Ao qual pensávamos conhecer...
E repente nos deixa perplexos!
 E ficamos a nos perguntar o porquê disso, daquilo.
Que foi que aconteceu?
O que o levou a isso...
Tanta vezes ficamos sem respostas.
Embora as pessoas nos permitam uma aproximação
Só lhes conhecemos o reflexo exterior
Aquele ao qual eles vêem no espelho de nosso olhar
O verdadeiro, a essência nos está em oculto.
Somos uma incógnita a nós mesmos
Temos os mesmos hábitos,
Os mesmos vícios...
Vamos aos mesmos lugares
 Temos certo padrão dentro do cotidiano
Escolhas que nos são impostas pela sociedade
Pela vida...
Tantas frustrações escondidas no interior de cada “eu"
Escolhas que fizemos sem escolha
Outras tantas tomadas de nossa própria vontade
Alunos em aprendizado na grande escola da vida
De um futuro sempre incerto
Aprendendo com cada alegria, com cada dor
Com cada cicatriz...
Sempre querendo fazer a diferença no mundo
 Na vida de alguém...
Criando círculos, vínculos
Sem querer magoar,
Contando não sermos magoados
Querendo agradar,
Esperando agrados
Doando-nos ao amor,
Doando-nos à nossa família
Aos amigos, à sociedade.
Aprendendo a amar!

terça-feira, maio 01, 2012

Um brinde


Aos meus amigos escritores...
Levanto a taça das palavras soltas.
E bebo há honra dos vossos escritos.
Suave aroma exala das vossas letras
Feito vinho curtido pelo tempo.
Bebo de suas literaturas aveludadas
Champanhe que me aquece a alma.
Amigos que escrevem com emoção
Em linhas de sonhos e magia.
Desvelam os véus da ilusão
Entretanto vivem de pé no chão.
Porém semeiam a beleza
Na leveza de suas mãos.
São almas inquietas
São almas de poetas
Tantos sabores diferentes
Nos versos de uma mesma safra.
Outras tantas já foram colhidas
Estão curtidas em nossas vidas.
Dos seus escritos tenho sede...
E bebo de cada linha.
Independente da métrica
E da composição
É-me alimento
Para manter a alma em elevação.


A poesia não morreu, sou eu


Nos sonhos de terra molhada
Nas noites enluaradas
Um mundo de palavras embrulhadas
De todas as magias sonhadas 
Com todas as cores usadas
É onde tudo acontece
E a beleza da vida revela
Mostrando da alma a pureza
Assediando o sentimento na toca
Das mãos que sangram em suplício
Invadindo o coração do poeta
Talvez seja só um profeta
A dizer que a poesia não morreu
São tudo partes de mim, sou eu.

segunda-feira, abril 30, 2012

O poder das palavras


Existem momentos desnecessários de palavras
Existem outros tantos em que se fazem necessárias
Palavras que são poemas de promessas
Que nos beijam e nos selam
Já vêm prontas, vem com vida.
São palavras mágicas
Palavras que não viram pó
Que não caem no esquecimento
Palavras que permanecem
Palavras que o vento não leva
Entretanto há palavras que nos ferem
Com o poder de um punhal
São cortantes, são agudas
Afiadas e mortais
Transpassa-nos incisivas o coração
Ainda há aquelas mascaradas da verdade
Que arrastam-se dissimuladas
Frias e calculistas
São descapacitadas de emoção
Tem o poder da destruição
E por ultimo têm aquelas que não dizem nada
São ocas e vazias
Não trazem nada... Não edificam
São apenas palavras ao vento
Portanto,
Devemos ter cuidado com as palavras
Devemos cultivá-las em solo fecundo
Vistos são elas uma semente
Que se chama pensamento.

Anseios de um desejo


Espero-te nos desertos das areias
Nas dunas secas dos meus sonhos
Onde somente o vento sopra
Já cansado de esperar
 Espero-te além dos meus desejos
Só resta-me o calor dos meus anseios
Quando o coração chega à boca
Em sentir seu hálito quente
De beijar-me mansamente
Espero-te no fogo impaciente
Desse coração apaixonado
Que bate em ritmo galopante
Desse desejo de amar
Sem vulgaridade
Sem pudor
Somente doar-me por completo
No repouso dos teus braços.


Cativa do vento


Conservo os cabelos presos na nuca
À espera de um afago
Da brisa fresca que me envolve
Do Vento que me abraça
Descendo levemente pelas costas
Palpitando-me um desejo de estar cativa
De me sentir amada
Como ocorre aos braços de um amante
Num gesto lento
vagarosamente
Desnuda-me o dorso
Com mansidão se arrasta sobre mim
Em movimentos ondulantes
Vagueando na eternidade desse instante
Na sensualidade do momento
Dessa paixão que nos enlaça
Em poesia nos satisfazemos
Não há nada a se dizer
Não quero quebrar a magia
Sou uma ilha deserta
Onde as ilusões são os únicos ocupantes.

domingo, abril 29, 2012

Sonhos que em mim retive


Sou filha da madrugada
Em noite enluarada
Na negritude da noite
Tenho a alma errante
Em mares sou navegante
Por terra sou viandante
Sou folha solta ao vento
Sou o choro da saudade
De algo que nunca tive
Da pátria perdida no tempo
De lugares que nunca estive
Dos sonhos que em mim retive
Estou perdida em mim
Porque vou planejar?
Quero apenas velejar
Em diferentes mares singrar
Não tenho rota determinada
Apenas me deixo levar
E quando nada mais restar
Este será o meu lugar
Minha conquista!
O meu repouso, o meu lar.

As chamas do amor


Quais as cores desse fogo que me acende
Espreita-me
 E revela meus desejos
Fogo paixão
Chama vermelha carmesim
Abrasado, encarnado
Entalhado na pele
No coração
Labareda inflamada
Que me deixa em vulcão
 Feito de sangue vermelho vivo
Que me escorre incandescente
Pelas veias, 
Em combustão
Salamandras mágicas.
Serão chamas eternas? 
Ou
Poderão um dia virar fogo de palha?
Fogo lento
Sem vida
Luz consumida
Lume sem cor
Que perde o calor
Feito fogo de vela
 Que pouco a pouco se acaba
Até restarem somente as cinzas
Parafina derretida no fundo
A escuridão.
Estarei brincando com fogo?
Que importa?
Prefiro o fulgor
O incêndio que se alastra
Indomável, intransigente
Em veemência
O ardor da madeira
Na fogueira
Que desaba e acaba
Ao desatino de nunca ter sido chama.

sexta-feira, abril 27, 2012

Sonhos que florescem


As flores que cultivo
São meus sonhos que florescem
Em pétalas orvalhadas de esperança
Guardo os aromas nas mãos
Polinizadas de anseios
Que um dia já foram sementes
Germinadas de minhas crenças
Da minha fé primaveril
Revelaram brotos desmedidos
Na serenidade do meu coração
Alastrando-se em ramos floridos
Aromatizando os meus dias 
Enchendo de cheiros o meu jardim
Que assim seja sempre!


Nua



Acordei nua
Acordei sem cor
Acordei com frio
Falta-me o amor
Busquei-o dentro
Porém não o achei
Ontem o deixei contigo
Voltei vazia...
De mim
De ti 
De nós
Do amor
Sem calor.





O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores