REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

terça-feira, maio 01, 2012

Um brinde


Aos meus amigos escritores...
Levanto a taça das palavras soltas.
E bebo há honra dos vossos escritos.
Suave aroma exala das vossas letras
Feito vinho curtido pelo tempo.
Bebo de suas literaturas aveludadas
Champanhe que me aquece a alma.
Amigos que escrevem com emoção
Em linhas de sonhos e magia.
Desvelam os véus da ilusão
Entretanto vivem de pé no chão.
Porém semeiam a beleza
Na leveza de suas mãos.
São almas inquietas
São almas de poetas
Tantos sabores diferentes
Nos versos de uma mesma safra.
Outras tantas já foram colhidas
Estão curtidas em nossas vidas.
Dos seus escritos tenho sede...
E bebo de cada linha.
Independente da métrica
E da composição
É-me alimento
Para manter a alma em elevação.


A poesia não morreu, sou eu


Nos sonhos de terra molhada
Nas noites enluaradas
Um mundo de palavras embrulhadas
De todas as magias sonhadas 
Com todas as cores usadas
É onde tudo acontece
E a beleza da vida revela
Mostrando da alma a pureza
Assediando o sentimento na toca
Das mãos que sangram em suplício
Invadindo o coração do poeta
Talvez seja só um profeta
A dizer que a poesia não morreu
São tudo partes de mim, sou eu.

segunda-feira, abril 30, 2012

O poder das palavras


Existem momentos desnecessários de palavras
Existem outros tantos em que se fazem necessárias
Palavras que são poemas de promessas
Que nos beijam e nos selam
Já vêm prontas, vem com vida.
São palavras mágicas
Palavras que não viram pó
Que não caem no esquecimento
Palavras que permanecem
Palavras que o vento não leva
Entretanto há palavras que nos ferem
Com o poder de um punhal
São cortantes, são agudas
Afiadas e mortais
Transpassa-nos incisivas o coração
Ainda há aquelas mascaradas da verdade
Que arrastam-se dissimuladas
Frias e calculistas
São descapacitadas de emoção
Tem o poder da destruição
E por ultimo têm aquelas que não dizem nada
São ocas e vazias
Não trazem nada... Não edificam
São apenas palavras ao vento
Portanto,
Devemos ter cuidado com as palavras
Devemos cultivá-las em solo fecundo
Vistos são elas uma semente
Que se chama pensamento.

Anseios de um desejo


Espero-te nos desertos das areias
Nas dunas secas dos meus sonhos
Onde somente o vento sopra
Já cansado de esperar
 Espero-te além dos meus desejos
Só resta-me o calor dos meus anseios
Quando o coração chega à boca
Em sentir seu hálito quente
De beijar-me mansamente
Espero-te no fogo impaciente
Desse coração apaixonado
Que bate em ritmo galopante
Desse desejo de amar
Sem vulgaridade
Sem pudor
Somente doar-me por completo
No repouso dos teus braços.


Cativa do vento


Conservo os cabelos presos na nuca
À espera de um afago
Da brisa fresca que me envolve
Do Vento que me abraça
Descendo levemente pelas costas
Palpitando-me um desejo de estar cativa
De me sentir amada
Como ocorre aos braços de um amante
Num gesto lento
vagarosamente
Desnuda-me o dorso
Com mansidão se arrasta sobre mim
Em movimentos ondulantes
Vagueando na eternidade desse instante
Na sensualidade do momento
Dessa paixão que nos enlaça
Em poesia nos satisfazemos
Não há nada a se dizer
Não quero quebrar a magia
Sou uma ilha deserta
Onde as ilusões são os únicos ocupantes.

domingo, abril 29, 2012

Sonhos que em mim retive


Sou filha da madrugada
Em noite enluarada
Na negritude da noite
Tenho a alma errante
Em mares sou navegante
Por terra sou viandante
Sou folha solta ao vento
Sou o choro da saudade
De algo que nunca tive
Da pátria perdida no tempo
De lugares que nunca estive
Dos sonhos que em mim retive
Estou perdida em mim
Porque vou planejar?
Quero apenas velejar
Em diferentes mares singrar
Não tenho rota determinada
Apenas me deixo levar
E quando nada mais restar
Este será o meu lugar
Minha conquista!
O meu repouso, o meu lar.

As chamas do amor


Quais as cores desse fogo que me acende
Espreita-me
 E revela meus desejos
Fogo paixão
Chama vermelha carmesim
Abrasado, encarnado
Entalhado na pele
No coração
Labareda inflamada
Que me deixa em vulcão
 Feito de sangue vermelho vivo
Que me escorre incandescente
Pelas veias, 
Em combustão
Salamandras mágicas.
Serão chamas eternas? 
Ou
Poderão um dia virar fogo de palha?
Fogo lento
Sem vida
Luz consumida
Lume sem cor
Que perde o calor
Feito fogo de vela
 Que pouco a pouco se acaba
Até restarem somente as cinzas
Parafina derretida no fundo
A escuridão.
Estarei brincando com fogo?
Que importa?
Prefiro o fulgor
O incêndio que se alastra
Indomável, intransigente
Em veemência
O ardor da madeira
Na fogueira
Que desaba e acaba
Ao desatino de nunca ter sido chama.

sexta-feira, abril 27, 2012

Sonhos que florescem


As flores que cultivo
São meus sonhos que florescem
Em pétalas orvalhadas de esperança
Guardo os aromas nas mãos
Polinizadas de anseios
Que um dia já foram sementes
Germinadas de minhas crenças
Da minha fé primaveril
Revelaram brotos desmedidos
Na serenidade do meu coração
Alastrando-se em ramos floridos
Aromatizando os meus dias 
Enchendo de cheiros o meu jardim
Que assim seja sempre!


Nua



Acordei nua
Acordei sem cor
Acordei com frio
Falta-me o amor
Busquei-o dentro
Porém não o achei
Ontem o deixei contigo
Voltei vazia...
De mim
De ti 
De nós
Do amor
Sem calor.




quarta-feira, abril 11, 2012

Estações da vida


 És arvore
Dentro do tempo
No ciclo
 Das estações
Da vida
A sua força 
Provém do sol
Persiste da lua
Árvore plantada
Junto às águas
No útero 
Da mãe terra
Em círculo
Entre os dias 
As noites
Como os ursos
Hiberna no inverno
Recolhe-se em si
 No profundo
preparando
O ninho
A semente
Em espera
Da primavera
Cheia de flores
De todas as cores
De folhas
Das mesmas cores
É o brilho
Que antecede o verão
Carregado de verdes
De frutos
temporada
Dos sorrisos
Da felicidade no ar
Assim,
Observa tranquila
O outono chegando
O vento leve e manso
Que balança os seus galhos
Desprendendo-te
As folhas
Os frutos maturados
Que caem ao solo
preparados
Para o retorno
Ao início do ciclo.




O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores