REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

domingo, março 25, 2012

Silenciosamente me entrego


Hoje você chegou
De novo...
Quero dizer
Você sempre voltou
Depois  que me deixou
Então talvez chegue um dia
Que você não volte
O dia em que eu me perca
Dentro ou fora do tempo?
Plumas levadas pelo vento
espalhadas
 No meio do caminho
Ave que perde o ninho
Em que não me reconheço
Finalmente me esqueço
Ou 
deverás
Será um novo começo
E corro a me procurar
Na esperança de me encontrar
finalmente
Com minha personalidade
Em paz
Com minha individualidade
Onde não me nego
Silenciosamente me entrego
Em equilíbrio... balanço
Abro os braços e danço.


sábado, março 24, 2012

Fugidia Ana luiza


Ana luiza é uma linda mulher
Porém se esconde 
atrás 
Dos seus imensos olhos tristes
Sem prestar nenhuma atenção
À graciosidade das borboletas 
De (seu) jardim
Não sente ao cheiro agradável 
 Que  lhe chega do campo florido
Anelado pelo vento
Deixa no ar um rastro adocicado
Do mais suave perfume
Impossível de ser embalado 
Silenciosa dentro do seu mundo
Não percebe a brisa fresca
Que balança e refresca
As delicadas flores amarelas
Nem apetece do delicado colibri
Pousado em um pequeno raminho
Parecendo fitá-la sem compreender 
Como alguém pode ficar estático
Diante de tanta beleza
Raios quentes de sol
Viajam por toda sua pele
todavia
Permanece fria dentro de si
É apenas um corpo largado
Alma perdida em cores
Entre as flores de outros dias
De tardes fragmentadas
Que entre formas e nuances
Exibem-lhe lembranças
Dos seus antigos amores 
entretanto
Toda a natureza conspira
Aguardando o instante 
Em que ela possa voltar
 E que destranque a porta
Fugidia Ana luiza.


sexta-feira, março 23, 2012

Primavera


Hoje posso olhar para o passado
Olhar dentro dos olhos
E ter uma serena visão...
É-me primavera
Depois de um rigoroso inverno.
Venho de tormentas violentas
Feito nau a deriva.
Porém cheguei a salvo.
De minhas dores 
Fiz o transporte para o cais.
Cheguei renovada
Descansada de todas as lastimas.
Cheguei abraçando minha paz
Minha gente
Minhas flores
Meus amores
Corações do meu jardim.
Encontrei a emoção perdida...
Tudo tão certo
Tão perto.
Ao alcance das mãos
E do coração.
Bastou agarrar sem medo
De ficar.
De acreditar
Que eu podia e devia ser feliz.
Devo dizer 
Que em algum lugar do passado
Eu plantei as sementes
Que hoje são rosas no meu jardim
Os espinhos?
Ainda existem
Fazem parte do roseiral.
Entretanto não me ferem mais
Tenho as mãos calejadas.
Foram anos de prática em jardinagem...
 No entanto trago elas perfumadas
De todas as estações vividas.
Cheguei finalmente à primavera.


Riacho doce


O riacho ao fundo do quintal
Era meu refúgio
Minha doce lembrança
Das minhas horas de fuga
 Onde deixava meus farrapos...
Minhas dores e medos
Escorriam em suas abundantes águas 
Levados à quilômetros de distância
Pelas copiosas correntezas 
Balançando suas crinas
Eu me via no reflexo espelhado das águas
Eu quase me reconhecia 
Em meio aquela visão deslumbrante
Entre os musgos e peixinhos
Em minha iminente sanidade
Divisava um meio-sorriso no canto da boca
Um brilho fugaz me iluminando os olhos
Num reencontro comigo mesma...
Mais serena e mais forte
Eu retornava em silêncio 
Caminhava para casa
Para estar novamente
Cara a cara com meus demônios.

quinta-feira, março 22, 2012

Uma oração


Hoje eu faço um pedido
Uma oração...
Que minhas esperas
Tornem-se águas tranqüilas
De margens plácidas
Pois entendo
Que minhas buscas
Iniciam e terminam em mim
Mesmo que eu não saiba 
Aonde chegar
Eu quero é chegar
Pois em cada tradução que vivo
Procuro ser a melhor idealizada
Portanto se aprendo eu cresço
Continuo fazendo a travessia
Mesmo sem saber o me espera
Ainda assim
Transponho as pontes de mim
Sou eu do outro lado
Sentinela à espera
Uma chega, a outra vai
É-lhe o tempo...
De despir os trajes das personas
 Todavia contenho umas teimosas
Que querem grudar-me a pele
Contudo preciso desapegar-me
Para poder edificar-me
Deste modo
Trava-se uma violenta luta 
Quase de vida ou morte
Onde me sapateio 
Para poder libertar-me
Droga!
Sou eu...
Machucada
Humilhada
Porém preciso ir...
Para descobrir-me além
É preciso perdoar-me
Para continuarmos felizes
Sob o mesmo abrigo
Fazendo as mesmas refeições
Pratos feitos
De esperança
Quentes ou frios
Tem porções
 De confiança
Fé e amor
E sempre volto ao meu estado
De quase sanidade
Sendo mais equilibrada
Reconheço-me 
Em todas de olhos fechados
E compreendo que do outro lado
Sempre haverá um reencontro
Com uma do passado
Assim sendo...
Que cada uma de mim
Saiba o tempo exato
Da partida e da chegada
Que tenha sabedoria
E paz na travessia.

quarta-feira, março 21, 2012

Preparado para o amor


Concordo e discordo
Que nem sempre o sentido
É o que se deveras ser concluído,
Falar sobre a solidão,
Decifrar a dor...
Será que devo dizer  
Que estou melhor sozinho?
Não quero estar mal acompanhado
Mas não me sinto muito bem só.
E ainda que eu queira todo o isolamento
Sinto falta de outra alma
Junto a minha,
De sorrisos descobertos,
Um abraço apertado,
Corações batendo descompassados,
Loucos...alucinados,
Sinto falta da paixão!
Estou correto agora em dizer
Antes mal acompanhado do que só?
Diante de tudo que já passei
Aprendi a superar
Medos,receios,anseios
E fracassos por buscas,encontros
 Que não me pertence,amores alheios.
Tantas decepções
E dias de melancolia,escuridão,
Que em meu coração
Habitava a melhor amiga
Do homem solitário,
A solidão!
Hoje tenho em mim a dose exata
Do aprendizado
 Adquirido na convivência
Com águas profundas de revolta...
Conflitos
Que transbordaram
Em forma da carência
De querer me amar mais,
De sair
Desse abandono de mim mesmo,
Portanto tenho em mim
O que necessito para a cura,
Acolhendo-me de braços abertos,
Aceitando-me com meu erros,acertos,
Estou me perdoando,
Despedindo-me da solidão,
Voltando para a vida que perdi...
Estou preparado para você,
Amor!

( Matheus Rodrigues Aguillar Gera )

segunda-feira, março 19, 2012

Vou cavalgar com o vento


Vou cavalgar
Soltar a alma no vento
Antes de o tempo chegar
À beira...
 Vou Correr o mundo
Sem saber aonde vou
Vou cavalgar com o vento
 Junto às estrelas no céu
Respirar os vendavais
 No profundo
Dos sentimentos
Vou escapar
E fugir como o ar
Por uma fresta rasgada
 Pela luz
Que vaga 
Dos Brilhos do dia
 Quero ter o calor 
O fulgor
Do corpo da lua
Do brilho do sol
Roubar o alento da brisa
E cavalgar com o vento
Ir além...
Deixo as peças espalhadas
Na mesa
 Outro alguém
Talvez as hajam de jogar.
 

Preciso voar


Queres ganhar o mundo
Entretanto mantêm-se fechado
E o que lhe cabe é muito pouco
Pedes-me um tempo
Para poder colocar o pé no chão
Porém eu não tenho tempo
Preciso voar
esqueces
Que o chão podes nos faltar
 E que temos de manter os braços abertos
Estás sempre nesse vai e vem
Em zoom
Aonde não me cabe
Não me sei dividir
Não sei estar presa num trapézio
A balançar...
Quero voar
Sem rede
Mas bem sei que se cair
Posso quebrar-me
E nem tudo que quebra
Volta-se a colar
entretanto
Não haverá tempo
Para chorar minha dor
Estarei voando
Num voo derradeiro
Todavia não terei medo
Pois o que se mata
É não atravessar o dia
É não ver o que esconde a noite
É não sentir o vento
Ouvindo-o passar
É não sentir o peito rasgar
Ardente e quente
E um coração acelerado
 descompassado
A bater nas alturas
É não voar...
É viver sem ter vivido
É querer o mundo de mãos fechadas.

Eu trago-te comigo


Lá fora
As pessoas fingem
Fogem a verdade
Tentam preencherem o vazio
Escondem-se atrás dos sorrisos
Enquanto brindam
dançam
 Divertem-se
Fingindo uma liberdade
Que na realidade não existe
Estão presos à inquietação
Ao medo
De se olharem no espelho 
E admitirem que a vida seja mais 
Que encontros vazios
entretanto 
Fui lhe descobrindo 
Entre os sonhos meus
E pouco a pouco
Eu lhe abri a porta 
agora
Eu trago-te comigo
Cada sorriso teu
Cada momento
Passados juntos
E lhe conservo junto a mim
Um amor
Que a vida toda procurei
Guardado só para ti
Eu sinto muito 
 Muito sua falta...
Porém
Trago-te comigo
Sei que o caminho só é feito
Para quem quer amar
Não importa o quanto
Celebram-se vitórias
Ou derrotas
O importante é 
Que não sejamos sombras
Com medo de acreditar
 Nos sentimentos
De viver...
Dando vazão as emoções
Não se deve temer a direção 
Dos ventos
O tempo...

domingo, março 18, 2012

Um velho Cansado

Um velho
Cansado... Sentado
 Olhar parado
Triste...
Olhando o relógio do tempo
 Que gira cada dia mais devagar
atento 
As horas que ainda lhe restam
 Refugia na solidão
Mergulhado em recordações
Parece só ouvir o tic e tac do relógio 
Dizendo que não há mais tempo
Para sonhar...
Tantas gentes passam por ti
Perdidas em seus próprios mundos
Vivendo sonhos 
parecidos
Ou mesmos iguais
Aos que um dia já foram sonhados
Por ti
E te olham com desprezo
Parecem fugir da visão
A imagem do abandono
De quando forem como tu
Um velho esperando o fim...
E serão outros ocupando o velho banco 
No jardim da vida...


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores