REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

domingo, março 18, 2012

Eu sou igual a ti


Vem...
 abraça-me 
Levanta os teus olhos
Olhas para mim
Cá dentro
Procuras onde me escondi
confesso
Que tenho medo
De dar a ti
O que tenho guardado
No profundo
Tudo que tento salvar
entretanto
procuro
E espero por ti
Estendo minha mão até te tocar
Abra-me a janela
E vem me encontrar
Desde muito longe que sei 
Que és a minha cura
Sei que se sente confusa
Nesse meu labirinto
Sem rota
E que também tem medo
De sair do fundo
Que em cada canto escuro
Tu és igual a mim 
E em cada rumo que procuro
Eu sou igual a ti
Alma de dona
És tu em mim
caminho
Que preciso caminhar...


Para quando te sentires só



Tento esquecer a mágoa 
E guardar só o que é bom
Tento entender
Cada olhar que não colhi
Cada abraço que não recebi
Preciso compreender
O que é que eu tenho direito
Pois por mais que eu agarre 
Sinto o lugar sempre vazio
Às vezes só as cinzas me sobram
A encher-me os lugares ausentes
Juntamente com essa saudade
De algo que nunca tive 
Do tudo não vivido
Silêncio... 
Abençoada mordaça
Álibi do meu grito estrangulado
Na garganta
Onde guardo o espanto
A raiva
De esperar...
Pelo sopro do vento no deserto
Pela brisa fresca e mansa
A trazer-me a chave da aurora
Enquanto anoitece-me e escurece
Enquanto estou aqui
Para quando te sentires só.


O amor sabe esperar


Amiga,
Hoje eu dei mais um passo
 Na sua direção
Vencendo mais um pouco
A distância que nos separa
Está chegando perto o dia
Em que vou poder te olhar
Olhos nos olhos
Deixar de lado essa expectativa 
Que nos separa
O amor sabe esperar
Bem sei que nasci para te amar
Amor sem medidas
Sem fronteiras
Tuas alegrias tão minhas
Teus sofrimentos tão meus
Ventre que me dá vida
Minha essência... Meu sumo
Mesmo afastada
Teus passos 
Não tão longe dos meus
Pois estamos no mesmo abrigo
Do coração
Da alma
Eu sinto tuas lágrimas não derramadas
Teu choro contido
Jubílo com seus sorrisos escancarados
De um lado ao outro
Um dia você vai voltar para mim
E nunca mais... Nunca mais
Iremos nos separar
Novamente te encontrarei
No pedaço de mim
Que me afastei...

sábado, março 17, 2012

Ávida ave adormecida


Estando em mim
Sabe de cor cada lugar meu
Sem defesas 
 Dou-te o melhor que eu sou
Sinto seu mergulho
Em minhas profundidades
 As mãos que me tocam
Aplaina meu corpo
Solta os delírios esquecidos
Um olhar...
Olhar de fome
 Ávida ave adormecida
Arranca em voo
Aonde só chega quem não tem medo
De amar...

sexta-feira, março 16, 2012

Coração envenenado


Um coração que mendiga pela verdade
Uma alma que acabou de mentir
Misturando os sentimentos
Ventos que sopram ao contrário
Onde o perverso engole a pureza 
Portanto não se tem lugar para absolvição
O amor esta envolto num cortinado de mágoa
Sem benevolência... Sem piedade
É essência amarga e tóxica
 Que encobre a beleza
Coração envenenado
Não tem salvação...
É absinto.

Jardim esquecido


Jardim esquecido
Há tanto tempo
Sem cuidado
Antes tão vistoso
Agora permanece
pedaços de mim
Pétalas caídas 
espalhadas
deprimente
Parece que foi há séculos
Que deixei de te regar
De me envolver
Do teu perfume
Do mel adocicado
Dos teus pólens
Que deixei do simples prazer
De te cultivar
Jardim em mim... 

Silêncio...
Morreu a luz
Basta um olhar
Para ver a sequidão
Alma descrente
Sentimento perdido
Jardim esquecido
No escuro... Só penumbra
Esqueceu a doçura
Perdeu a ternura
Está sem cores
Escondeu-se atrás das sombras
Faz-se noite dentro de mim
No meu jardim...

As lágrimas que choro


As lágrimas que choro
Ninguém as vê cair dentro de mim
Ninguém as vê brotar
Dentro do coração da alma
São lágrimas em preto e branco
Que deixam meu mundo cinzento
São águas do meu lamento
Reprimidas pelo tormento
De certa forma habituei-me
A esta melancolia
A lamber-me a alegria
Um choro que não consigo conter
Habitante das minhas sombras...

quinta-feira, março 15, 2012

Como será o próximo dia...


Os olhos do dia se fecham devagar
Fecham lentamente
Como se não quisesse deixar atrás 
A beleza da natureza
Majestosa pelo brilho sol
Dá mais um olhada no horizonte
Talvez querendo guardar na memória
O azul do céu
De boca escancarada sobre a terra
Respirando ao ar livre
A descoberto
acariciando
A imensidão do mar
Iluminado pelos últimos raios solares
Aos poucos vai ficando melancólico
Sentindo-se vazio pela travessia 
Meio entediado
sombrio
Já não sebe se no próximo amanhecer
Estará disposto
iluminado
Quem sabe amanheça carrancudo
Cercado de nuvens negras
Deixando toda a natureza macambúzia
A meditar
Como será o próximo dia...

quarta-feira, março 14, 2012

Falando com Deus

Hoje eu gostaria de só um segundo 
Um milésimo desse segundo
Da sua atenção
Talvez tu me expliques
Sim estou falando contigo
Oh Deus
Será possível me dizer
Qual o meu papel aqui...
Não?
Mas por quê?
Não me digas que vim apenas 
 Para ser mais uma alma errante
vacilante
Vagando por ai
De lá pra cá
Sem rumo... Sem prumo
Sem cura... Nessa loucura
Mas como cheguei a isso?
Não sei...
Poderia me dar à resposta?
Não?
Bem no meu ponto de vista
Eu sou uma teimosa
O erro em mim é lutar
Lutei quando me roubaram os sonhos
Deveria ter desistido ali
Criança frágil
Como vidro estilhaçado
Porém de alguma forma
Juntei-me
Colei os cacos
prossegui
Deveria ter parado
Quando eu tinha tanto amor 
Tanto calor
Para dar
E só recebi a indiferença
Fria e cortante
Como um punhal
Dilacerando lentamente a carne
A alma
Mas resisti
Não desisti...
Nunca esgoto os motivos para continuar
compreendo
 Que luto contra mim mesma
Não admito
Não me encontrar
Não me socorrer
Sempre vou lá no fundo
No profundo
Agarro-me pelas mãos
Trago-me a tona
De novo 
E de novo
Quantas vezes for preciso
Até o dia que tu Senhor
Dizer basta
Vinde a mim
E sobre eu passares o véu
A escuridão
 Terei a resposta...

Alma esfomeada


Sinto-me como uma vela acesa
Consumida pelas chamas
Restando somente parafina derretida 
Porque quem não tem 
Não pode perder
E continuo alma esfomeada
Esburacando-me as entranhas
Retendo no ventre a noite
Onde me envolvo
E alimento-me dos lábios da escuridão
Saciando-me da verdade 
Que a esperança nunca permanece
É uma iguaria muito rápida de se consumir
Passa célere como a correnteza de rio
E a maior parte do tempo estou em jejum.



O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores