REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

quarta-feira, março 07, 2012

Sou sendas... Em fendas


Sinto-me perdida
Falta o teu cheiro
Transmutado em mim
Não me tenho por dentro
Você me leu antes de mim
Divisou águas brutas
Diversas de mim
Dispersas... libertas
E agora?
O que me sobra?
Agonizo... Em rascunho
Sou sendas... Em fendas
Por dentro
 Sem pele
Paredes duras
nômade
Vagueio sem rumo
extraída
Em sumo...

Sem raiz


Canção sem timbre
Madeira podre
oca
Pétalas caídas
Rosa colhida
morta
Alma tolhida
Sem verso
enreveso
Palavras em chamas
Sem penas
Sem raiz
cinzas
Gerânios sem brotos.

terça-feira, março 06, 2012

O mundo esta em sinfonia


Hoje a lua dourada brilha
Sobre o nosso amor
Ela foi a primeira testemunha
De quando tuas mãos me alcançaram
E entre teus braços me enlaçou
À cata do meu coração
...
A madrugada rege a canção
O mundo esta em sinfonia
E todos os sons formam a melodia
Os corações batem acelerados
Em harmonia com a orquestra
Música como é bom te ouvir
E dançar no ritmo do amor.


segunda-feira, março 05, 2012

Marcada a ferro


Dói me ver neste olhar
Um bicho... Uma fera
Requentando o passado
Contudo ele nunca esfriou
ferve
Quando olho-o nos olhos
Crava-me os dentes
sangra-me
Desenterra a morta-viva
Marcada a ferro
A brasa
Cunhada para sempre
Muitos acreditam
Que devemos enfrentar
Nossos demônios
E assim,
Libertar-nos dos tormentos
Ledo engano
Não há como libertar
O que não se vê... Não se toca
Apenas sente... estando
assinalada
tatuada
Na palma... Da alma
Uma dor que vulcaniza
Sob o cadáver insepulto
Que se move em ferida aberta.


Valso sobre a esperança


Reencontrei os lírios brancos
Com cachos de várias cores
As cores dos céus
Do sol e dos mares
Todas refletidas neles
São os lírios da paz
Que enfeitam e perfumam 
Minha alma
Reencontrei também os vaga-lumes
 São as estrelas nos céus
Iluminando-me o caminho
Chegou-me tudo através do amor
No incansável movimento das águas
Todo um oceano
 Num fremir de ondas 
Entre eu e você
Onde não me detenho
Retenho o mágico
Bebo do tempo
Sou a espuma... Sou bruma
A dança do mar
Valso sobre a esperança
E então flutuo...

O céu me sorria


Amanheci debruçada sobre o mar
O céu me sorria
Lançando-me pitadas de ouro
Enquanto pelo azul escorria
Sorrio à brisa que agita o silêncio
Espalhando no ar melodias
Sou navegante sem terra
Tenho a alma a velejar
embalo 
Meu corpo ao som da maresia
retenho
As lágrimas do mar 
Nas pupilas dos meus olhos
São lágrimas de conhecimento
De desbravamento
Por regiões inóspitas
aprisiono
O brilho do sol
Nas pontas dos meus dedos
embebedo-me
Dessa luminosidade intensa
Que ilumina minha rota
A cada amanhecer...


A alma do mundo grita


O tempo se fundia de esperança
Na promessa de bons tempos
De reencontros... Sem despedidas
Depois de tantas partidas
O sol invadiu a manhã
O vento se espalhou
Em brisas perfumadas
De gozos... aromas
Poentes...
Do barulho das tempestades
Das guerras
A alma do mundo grita
Por paz... calor
 Tem desejo de vida
Finalmente Flutua
Ávida de beleza... De pureza
Sem saudosismo
Sem o soluço dos ossos
É tempo de poema... De fé
O máximo que a terra permite
É um até breve...


Jogo de azar


Eu sigo arriscando
Para me livrar do tormento
Da loucura
As minhas outras
As não conhecidas
Só ouço sussurros
Tecem suas teias
Jogam o jogo
Chamam por mim
Jogo de azar 
Se eu ganho me perco
Se eu perco
Perco-me mais ainda
No labirinto estreito
tortuoso
Jogo as cartas
E observo
O que me acontece
Mas não me decifro
Só estarei livre
Quando acabar o jogo
Não haverá vencido
E nem vencedor
Caminho sem rastros 
Sem curinga...

O reflexo que me olha


 Ando desfigurada 
Vejo a mim
De dentro
Na imagem que eu sou
Não encontro 
As mãos que me anelam
Que me salvam
De me perder
Arrepio em espanto
Do reflexo que me olha
transfigurada 
Na mulher do retrato...
Decifra-me sem palavras
O secreto... O incógnito
&
Meus olhos dizem
Que sou outra...


Na esfera... À espera


Do abismo vê-se o céu
Em movimento... Na esfera
Estamos todos 
Sob o mesmo sol
Olho-me sem espanto
Em encanto
Rasgo minhas entranhas
E contemplo
A mulher
Fenda de mim
Na esfera... À espera
Que me arranque do peito
O coração
Pulsante... vermelho
De vida
Dilatando-se no espaço
Em conhecimento
Com o desconhecido
Num ritual atávico
Dos amanheceres
Fora e dentro de mim
Dizendo-me que respiro
Da neblina dos tempos
Encontro-me.


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores