REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Marcas na alma


Em alguma ocasião já estive aqui
Já andei por este chão
Lembranças me são fugazes
Porém faço parte deste lugar
Onde nunca estive... Sei lá
 Tenho-me encontrado
Aqui e ali
Ora num lugar... Ora noutro
Porém quando e onde estive 
Não sei...
Ou sei?
 Sei que senti o cheiro da relva
Brisas frescas me fizeram festa
Sentimentos que me são conhecidos
 Ou não?
Talvez!... Não entendo
E nem procuro entender
Só sei que sou parte daqui
Possuo as marcas na alma
Desta ilusão verdadeira
Desta saudade incompreendida
D&
Respostas que me são incompletas.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Cadê eu? Mulher


Sinto saudades de mim
Quando eu ainda tinha você
Sinto saudades da tua voz
Do teu jeito de criança
Meio louca 
De bem com a vida
Sinto tanta falta do seu sorriso
deslumbrado
Perante tudo... Perante todos
Levo essa melancolia no peito
Do seu olhar sonhador
De quando acreditava em sonhos
Absorvida no perfume da fantasia
Levo o inverno dentro de mim
Pela tortura do seu silêncio
Deixando pétalas ao chão
...
Minha memória te busca
Alma esfarrapada
Lutando para sair do escuro
E minhas mãos não te alcançam
Do outro lado da margem
Presa nas grades da solidão
Temendo ser encontrada
Sei que está ai...
A ti darei só um nome
Cadê eu?
Mulher.

águas da vida


Não tenho mais tanta pressa
Recrio os sons... A textura
Da emoção
Dos risos soltos no tempo
Sintonia mágica
Da eterna madrugada molhada
Onde todas as águas dormem
Deitam-se águas tranquilas
Descansadas de suas turbulências
andarilha que sou 
Viajo por todo o mundo
Ora água plácida e límpida
Ora tempestuosa... violenta
Porto seguro para uns
E naufrágio para outros
Quantos corações sonhadores
 navegam por minhas águas?
Deságuam suas lutas
Suas fugas
Em meu leito
Derramam suas lágrimas
De alegrias e de tristezas
E as recolho todas
Absorvo como um néctar
São águas de minhas águas
Precisam de mim para viver.


Tenho urgência...


O tempo parece estagnado
Alheio a minha saudade
Finge não saber que anseio
Pelos teus abraços
Por seu sorriso
Dizendo que esta tudo bem
Que não importe o tempo
Os dias... As horas
Sempre vai voltar para meus braços
Assim ...
Tenho urgência

Do tempo
De você
Aqui...
&
Protegida em teu peito
Deslizarei meus dedos por tua face
Agradecida por sua presença
Em emoção... Sem pressa
De te deixar partir...


Porção maior


Quero a porção maior
Do amor
 Da vida
Dos sentimentos
Uma parcela maior
De fé
De esperança
De confiança
Quero uma porção maior
Com Deus.


Amor maior


Quando as palavras se calarem
Apenas me olhe nos olhos
Beija-me mansamente
Como a lua beija a pétala nua
Sem pressa de ir embora 
Despe-me de meus pudores
Para que aflore 
A fantasia... A emoção
Num renascer de sentimentos
Esquecidos... adormecidos
Sejamos um amor maior
De irmos onde o amor nos levar
Abraçados a felicidade...
Daremos asas aos sentimentos 
Caindo gota a gota
Da imensidão de um céu tão azul.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Devoradores de alma


Porque me impor os seus fantasmas?
Se já tenho os meus
Todos enrolados, sedados.
Guardados em gavetas
São como cupins adormecidos
À espera de um sinal 
Uma manifestação que estou viva
Para avançarem seus tentáculos
Devoradores, sugadores de alma.
Os conheço bem... cupineiros 
Estiveram sempre aqui
Alimentando-se de minhas feridas
Por ora estão retraídos 
Sobre si mesmos
Sempre à espreita...
Assim sendo não preciso dos teus.


Até o amanhecer


Não me deito sobre a solidão
Ela que se deita sobre mim
Impele-me brutalmente suas teias
Zomba das sombras que me abraça
Enquanto espero em sonhos te beijar
...
Deitada em penumbra adormeço
Dando uma pausa na solidão
Espero que venhas a mim 
Despida de todos os medos
Acordada para todos os prazeres
...
Até o amanhecer... Nunca é suficiente
Aguardo a noite outra vez...

Águas estagnadas


Inevitavelmente teria de ser assim
Sinto-me cansada
Esgotei-me nas esperas
Cansei pelos talvez fossem hoje
E não foram...
Desgastei-me do suspenso
Da água represada 
Que nunca se esvai
De cada palavra não dita
De cada verdade escondida
Embora doa
Deixo-me vencer
Deito por terra qualquer ilusão
Pelo tempo perdido
Pela vida que me foi adiada
Pelo amor
Que nunca existiu...


Espelho d'água


Todos juntos estão os seus traços
Refletidos num espelho d'água
 Metades que já foram apenas uma
Ave despida das plumas
Desflorada de toda ingenuidade
O frescor escorre pela face
E adormece no sorriso
O sol da manhã esta molhado
Recolheu o seu brilho pueril
Seu céu permanece escuridão sem luar
Gota a gota as lágrimas vazam
São poeiras da saudade...
 Fazem reflexos aos olhos
De todas as metades mortas.


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores