REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

sábado, fevereiro 18, 2012

Tempo certo



Passe tempo
Passe com o vento
Há de haver outro tempo
Em que nada doa
Nada importe
Há algum tempo atrás
O vento passou mansinho
Beijando as pétalas
Levando as nuvens
todavia
Não esperei o tempo
No seu tempo
Corri com o tempo
Com o vento
...
inutilmente
Teci sonhos
Construí castelos
Em preto e branco
Na areia
entretanto
Vivo agora
Neste meio-tempo
esperando 
Que há de chegar
Há seu tempo
A alegria
 A harmonia
A paz perdida
No meu tempo
No seu tempo
No tempo de Deus!

Queda livre



Nem o cimento ocultaria
Nem um tufão levaria
A dor dessa saudade
Tua ausência expõe minha carência
A solidão apraze em me fazer companhia
Sussurra-me num ranger de dentes
O ruído da ventania chega até a mim
Venta?
Mas não vejo...
é apenas minha alma em furor
Meu universo se transforma
Em frenesi
dentro
Em meu ser...
Sou um carrossel a girar
gira-gira
Minhas mágoas e assombros
Batendo janelas e portas
mergulho
Queda livre
Sou uma montanha-russa
desgovernada
À espera...


sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Vestido de chita


Estampado de cores
Desenhando a forma do corpo
No guarda roupa pendurado
 Onde estava guardado
O singelo vestido de chita
Tecido do mais ordinário algodão
Continha todas as mágoas
Mistura de folhas secas e flores
Era feito de amarras e elos
Guardava em suas tramas
O cheiro vulgar de lavanda 
Deixa rastros no ar
Numa mistura 
De segredos e intrigas
Todo cheio de laços
Daquela que o vestia.


quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Sou a estampa


Porque não sonhar?
A lógica não faz sentido
Sou o que revelo, mas,
Mormente o que deixo de expor
Levito a deriva
Do imaginário
Sem sentido
Refletida em cada uma 
Que crio
Umas me vestem
De asas
De fitas
De cores incandescentes
Outras me despem
Dos mais secretos desejos
Várias de mim se espalham
revelando
conhecendo 
Cada qual seu destino
Em labirinto
Deixo rastros
No solo, no céu.
No mundo que me amplia
Que me conduz mais além
Inteira ou metades
Na ânsia de viver
Sou o que sinto
No pensamento
O momento
O que existe
Dentro ou fora
Sou o reflexo no espelho
Revelando a mim.


Sonho sonhado sozinha


Quando mesmo que errei?
Foi quando lhe confiei meu amor
E em vão esperei resposta
Eu o esperei
Abri a porta  
Do meu coração
De braços abertos
Sem disfarces
Sem mistérios
Ansiosa, o aguardava.
Como um livro aberto
Palavras desnudas
Sedenta, da sua fonte.
Para descobrir, enfim.
Que debalde teci sonhos
Enquanto esperava 
Pelo toque de suas mãos
Sob o luar da lua cheia
&
Rendida estaria
Inunda por toda a vida
...
Por fim compreendi
Que tudo não passou de poeira
Lá onde esperei Pela vida.


Ela é um poço... Um abismo profundo


Como ajudá-la?
Se ela não consegue ajudar a si mesma
Se eu a conheço?
Não, nem ela mesma se conhece.
Ela é um poço... Um abismo profundo
O que há dentro dela?
Quem sabe... Talvez só seja o caos
A solidão fria e crescente...
Por conta de suas misérias.
Ela seria uma nada vez nada 
Se não fosse sua força de viver.
Se ela já quis morrer?
Há sim!
 Já esteve várias vezes
Entre a vida e a morte.
A morte de alma
Dos sonhos
No breu de suas cinzas.
Se eu já quis matá-la?
Várias e várias vezes
Sem dó e nem piedade...
Para lhe dar a redenção.
Mas ela é como fênix
ressurge
E ressurge.
...
E ela vai continuar vivendo.
Até o exato momento
Segundo a regra
Da vida
E da morte.
É nesse instante
Que vou... embora.
parto
Sem saber quem sou.
Apenas existi em mim
Do lado fora...


Cheiro do amor


Foi defrontando com minha solidão
 Que percebi 
Que em cada sorriso guardado
Só para ti
Em cada beijo dado
Em cada gesto oferecido
 Que notei o quanto de mim
Ainda esta presa a ti
Na presença de tantas memórias
Ainda sinto teu cheiro
O cheiro que tem seu próprio cheiro
O cheiro do amor
...
 E de tão presentes!
Vivas dentro de mim 
imagino-te 
E sei
Que és uma extensão
De mim mesma.


Zumbis


Por onde andamos?
Nem fim... Nem começo

(É meio)

Meio de tudo... Meio de nada
No meio do caminho
Na encruzilhada
Meio humanos

(No meio)

No isolamento
Do sofrimento alheio
Só olhares desencontrados
Meio coração... Meio cristão
Meio afastados da família
Numa presença distante
Meio animais... Meio vítimas
Pela conveniência
De se mantermos a distância
Da dor
Meio dentro... Meio fora

(Um meio)

De não se deixarmos tocar
Pelo amor
Amor a Deus
Ao próximo
A vida
seguimos
Meio vivos... Meio mortos
Num mundo
De meias verdades
...
Cadê você?
Porque me olha e não me vê?
Cadê você?
Aqui do meu lado.


Realidade cruel


Para ver a luz
Tem que atrevessar
Vários desafios
...
Incrédula do amor!
Depressão pelo erro
De uma aventura.

Tantos obstáculos
Quantas rasteiras
Tenho de levantar,
Enfrentar os ódios
Pular as Barreiras
Dor? Tento escapar!

O que será de mim?
O que será do mundo?
O que será de nós?
Parece não ter fim
 Profundo abismo imundo
Que me assola , é tão atroz!

( Matheus Rodrigues Aguillar Gera )

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Clausura


Folha seca ____folha morta
Cheia de saudades
Da flor em seu jardim
_______
Desabitada de vida
Sob o fogo extinto do amor
Embalada pelo vazio
Pelo silêncio da espera
Que o vento lhe traga
Um novo sopro de vida
Para amanhã renascer
Com asas de andorinha
_______
Permanece inerte
aguardando 
O destino do vento
Aquele que vem acender 
A chama adormecida
E com o sopro da vida
Rasgar a mortalha 
Que lhe envolve
Na clausura enraizada.




O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores