REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

domingo, fevereiro 12, 2012

Águas profundas


Se  fecho os olhos sinto a fragrância 
Do sabor daqueles sonhos
Saudades do que já tive
Lembranças dos dias que já vivi
Memórias do meu jardim
Onde plantei fadas do arco-íris 
E colhi maça com canela
Reguei o capim limão
E nasceu a alma do mundo
Assistido pela lua cheia
Refletida em águas profundas
A essência transitória
Dos sonhos que eu já tive
Caminhos desenhados
De uma primavera em cores
De borboletas e flores
Onde o mundo
Era um mundo inteiro
 A vida era uma viagem
De colibris
Numa violeta lilás
O elo entre o céu e mar
Entre o azul e o amarelo
Bucólico... efêmero
Sol poente
A felicidade tinha pressa
No balanço de um salto alto.



sábado, fevereiro 11, 2012

Ventos contraditórios


Parte de mim 
São lembranças
Que refletem
Ventos contraditórios
...
O passado no presente
Páginas viradas
De um mesmo texto 
Sendo escrito
O caminho já percorrido
A dança louca dos ventos
Do que fui
 Quem sou
O que não sei
...
Águas turbulentas
Do meu desassossego
desalinham 
A essência da minha existência. 


Vermelho sangue


Sinto um frio
Um frio na alma
Que rasga num talho
Difuso e profundo
Penso em você
E sua imagem me escapa
Como o negativo 
De uma fotografia
Sombras... fantasmas
Do que vivemos
E não somos mais
São ventos frios
Que deixam
Um rastro de solidão
Dentro de mim
A marca em um recorte
Desbotado pelo tempo
É inverno
Tomando conta
E no frio
 contemplo
A lua vermelho sangue
Em silêncio
Sinto a verdade nos ossos
Você é a miragem
Que evapora...


Crisálida


Fui e sou
A solidão... A crisálida 
Aguardando a metamorfose
Vestida de seda
Com as pontas soltas
Continuo tecendo
Para crer que ainda existo
Ainda preciso de mim
Preciso de ti
juntos
ajuntando
Pedaços do meu mundo
Acordar borboleta
Coberta de cores
Coração com coração.


sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Versos de água doce


Escrevo 
rabisco 
Versos de água doce
pontos
chuviscos
Feitos de açúcar
|
feito 
Água pura em vinho tinto
Escrevo
Sem ordem e nem lógica.
Só vontade
De voar nas asas...
Asas?
Da imaginação
Da fantasia.
Nostalgia
De conceber
envolver...
No perfume adocicado
Do ir e vir.
Sem planos
Só vontade.
Devaneio em marcha...
Acontece
Apetecê
No tempo que passa.
...
Noite de luar
Em branco e prata?
Permito-me sonhar...
Sob a luz da lua azul.



Tinha o mar preso na garganta
No mais negro dos outonos
Onde sangrava a saudade.

O sol



Oh minh'alma perdida!
Para onde estás indo
Com este desespero?

Desabafe todo medo!
Qual tamanha Mágoa
Para tal loucura?

Sempre haverá saudade!
Do último sentimento,
Do último por acaso,
Do último encontro,
Do último suspiro,
Do último abraço,
Do último beijo,
Do último amor,
Do último vôo,
Certo ou errado
Debaixo dos céus
A única maravilha
É ver no dia-a-dia
Um lindo pôr-do-sol
Exalando felicidade,
E é assim que se ama,
O sol sem medo de amar
E sem medo de ser amado
...
Não esconda um amor!
Quando a lua se vai
Há sol pela manhã.

( Matheus Rodrigues Aguillar Gera )

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Almas secas


Paira uma entardecida indolência
Em solo seco e outonal.
Os passos assombrados de incerteza
Balouçam na sombra escorrida dos dias.
Esquecidos da beleza
Na leveza da dança.
Quiçá, um pouco de vivacidade...
Sobre as almas que se desvanecem.


Refém desse amor


Não consigo 
ser 
sentir 
O suficiente
Nunca basta
É um vicio
Esse amor
Tentar viver
Sem você é inútil
Não sei onde 
estou 
 Aonde pertenço
Não sei seguir
É tão insano
Mas não importo
Não vou tentar fugir
Exatamente aqui
Com você
É onde quero estar
ficar
|
ficar
Sem pensar
Sem negar
Sempre refém
Desse amor.




terça-feira, fevereiro 07, 2012

Censura




Não digo muitas palavras
E às vezes me calo, muda
Diante deste meu mundo
De palavras censuradas.

Não digo palavras de mim
Deitada sob a lua escura
E diante da nuvem negra
Que esconde tal estrela.

Não digo palavras do sol
E nem nada que te brilha
Ao olhar do meu olho nu
A única estrela ausente.

Não digo palavras do céu
Que vivem os tais Deuses
Comandantes do universo
E daquele anjo poderoso.

Não digo palavras de luz
Nem da terra amaldiçoada
Pelo meu sangue pecador
Na dor do Rock 'N' Roll.


( Matheus Rodrigues Aguillar Gera )

O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores