REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Pirilampo


Uma vez teci um sonho
Eu vi um pirilampo perto 
Pequenino
Fulgurante
Iluminando-me a escuridão
Quebrantando as minhas sombras
Retornei e chorei.


Lobo


Dentro do sorriso da noite
a lua
Quebrantando a escuridão
Dentro do silêncio
 O uivo
Com espasmos de solidão
Lobo solitário que é...
Ainda não achou o caminho
Do menino
Na alma deste adulto ser.



A alma estava molhada
Quando a mulher chorou
Chorou por mim
&
Pelos meus sonhos perdidos
Chorou pela ternura
Esquecida dentro de si.


Vale selvagem



Senti...
A utopia rindo da minha cara
Enquanto ouvia 
Ao longe uma canção
Que toda criança tem alegria de ouvir
E de cantar
Fiquei com um gosto amargo na boca
Descendo feito fel pela bílis
O canto soa mais alto
Mais perto
Os sonhos ecoando pelos montes
Descompassando meu coração deserto
E por um instante torno-me
Uma mulher-criança
Ou seria
Um criança-mulher?
Um soluço...
E cavalgo minha fuga
Galopante.


domingo, dezembro 11, 2011

Sonhar é um deleite



Sonhar é um deleite
Que minha alma acolhe
E escolhe
Sonhar é uma conquista
O momento
  O sentimento
Sonho que abraça
A solidão envolvente
Sonhar não é esperar
O vento soprar 
Em minha direção
É correr atrás dele
É a ilusão
A emoção
Sonhar é escutar o silêncio
Dentro do silêncio
E ouvir-lhe o eco 
Das falas
É sentir a noite escura
O sol que perdura
A cura
Sonhar é uma vitória
A glória
Uma história
Sonhar é viver este dia
Suas cores
Seus amores
Seus sabores
Sonhar é sentir do coração
O calor 
A paixão
E ir além
Dos limites
Que a vida nos impõem
Sonhar é seguir
Com todas que sou
É deixar acontecer
E viver.



Fuga


Veneno que ferve

latente

Fogo que queima

arde

Sangue que corre

escorre

Coração que lateja

pulsa

Pulso intenso

desejo 

Noite escura

procura

Grito mudo

eco

Escuto o silêncio

choro

Retornam os medos

loucura

Caminho sem rumo

Fuga...

Amante


 
Sou amante do silêncio
Das palavras
Dos pingos da chuva
Do sol
Sou amante do seu sorriso
Das lágrimas
Dos sentimentos que falam
Que calam
Do meu reflexo em ti
De mim
Sou amante por ser amor
 Ser dor
Amante e nada mais. 


sábado, dezembro 10, 2011



Não me julgue
Já tenho minha sentença...
Uma alma de muitas idades
Não procure-me na aparência
Procure pelo meu eu
Minha transparência
Procure a verdade
E acharas a essência
Da criança esquecida
Do colibri que esteve aqui
Dos vôos que nunca fiz
Dissipe-me... Revele-me
O mistério na poesia.



Os mortos



Cenas adormecidas
Que a qualquer momento
Pode ressuscitar os mortos
Emoções guardadas, veladas.
Lembranças, sensações esquecidas.
Soterradas no recôncavo do meu eu
Passado que tem formas
Imagens que tem rosto
Medo e dor
seqüelas
 Da luta pela sobrevivência
Sair das sombras
Fantasiar a aparência
Quebrar o círculo
Paredes que me foram impostas
Entre a sanidade e a  loucura
Em busca da identidade
Da cura.

 

Quem sou eu?


Paisagens tão antigas
Dentro da uma alma velha
Até parece que venho 
De outros tempos
De outras vidas
Personagens esquecidas
E revividas
A quem empresto a voz
O sorriso, as emoções
Até que me perco
E não me tenho
Tantos eu em mim
Em lugares que nunca estive 
Mas que estão ali
Gravados na memória
Contando minha história. 

O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores