REVELAÇÃO

Pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

domingo, dezembro 11, 2011

Sonhar é um deleite



Sonhar é um deleite
Que minha alma acolhe
E escolhe
Sonhar é uma conquista
O momento
  O sentimento
Sonho que abraça
A solidão envolvente
Sonhar não é esperar
O vento soprar 
Em minha direção
É correr atrás dele
É a ilusão
A emoção
Sonhar é escutar o silêncio
Dentro do silêncio
E ouvir-lhe o eco 
Das falas
É sentir a noite escura
O sol que perdura
A cura
Sonhar é uma vitória
A glória
Uma história
Sonhar é viver este dia
Suas cores
Seus amores
Seus sabores
Sonhar é sentir do coração
O calor 
A paixão
E ir além
Dos limites
Que a vida nos impõem
Sonhar é seguir
Com todas que sou
É deixar acontecer
E viver.



Fuga


Veneno que ferve

latente

Fogo que queima

arde

Sangue que corre

escorre

Coração que lateja

pulsa

Pulso intenso

desejo 

Noite escura

procura

Grito mudo

eco

Escuto o silêncio

choro

Retornam os medos

loucura

Caminho sem rumo

Fuga...

Amante


 
Sou amante do silêncio
Das palavras
Dos pingos da chuva
Do sol
Sou amante do seu sorriso
Das lágrimas
Dos sentimentos que falam
Que calam
Do meu reflexo em ti
De mim
Sou amante por ser amor
 Ser dor
Amante e nada mais. 


sábado, dezembro 10, 2011



Não me julgue
Já tenho minha sentença...
Uma alma de muitas idades
Não procure-me na aparência
Procure pelo meu eu
Minha transparência
Procure a verdade
E acharas a essência
Da criança esquecida
Do colibri que esteve aqui
Dos vôos que nunca fiz
Dissipe-me... Revele-me
O mistério na poesia.



Os mortos



Cenas adormecidas
Que a qualquer momento
Pode ressuscitar os mortos
Emoções guardadas, veladas.
Lembranças, sensações esquecidas.
Soterradas no recôncavo do meu eu
Passado que tem formas
Imagens que tem rosto
Medo e dor
seqüelas
 Da luta pela sobrevivência
Sair das sombras
Fantasiar a aparência
Quebrar o círculo
Paredes que me foram impostas
Entre a sanidade e a  loucura
Em busca da identidade
Da cura.

 

Quem sou eu?


Paisagens tão antigas
Dentro da uma alma velha
Até parece que venho 
De outros tempos
De outras vidas
Personagens esquecidas
E revividas
A quem empresto a voz
O sorriso, as emoções
Até que me perco
E não me tenho
Tantos eu em mim
Em lugares que nunca estive 
Mas que estão ali
Gravados na memória
Contando minha história. 

Eu estava só



Porque o silêncio?
Você não percebeu 
Quando fechei a porta.
Fui saindo tão de mansinho...
Numa férrea luta para não ir.
De calar-me as palavras
Voltar para o meu eu...
Escorregando
Para dentro de mim.
Onde estava você?
Quando lhe sorri
Gritei e implorei com os olhos.
Dizendo-lhe estou aqui.
Ame-me, me tenha e socorre-me.
Porém numa mágoa que sangra 
E me dói percebi...
Eu estava só
Antes e agora.




Quando o sorriso não alcança o coração
Sorrimos de fora para dentro
Pois sorrir de dentro para fora dói...


sexta-feira, dezembro 09, 2011

Milagre do natal


Não vou permitir 
Que minhas recordações
Sejam como uma vela apagada!
Espero um milagre...
Que me seja chegado 
  De uma estrela cadente
Como a que guiou os reis magos
Que penetre nos côncavos
Do meu coração
Desvende-me a alma
E resgate a ilusão
A crença da criança
Que um dia esteve aqui
Que renasce a fé
A plenitude dos sonhos
Que ficaram adormecidos
Mas jamais foram perdidos
Renova-se em estado de graça
No coração de cada homem 
A magnitude de gesto tão nobre
De um amor imensurável
Como o de Cristo  por nós.


Amores de verão


Amores de verão
Que vem
&
Que vão
Seguem sem direção
Arroubos da estação.


O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distância. (May Lu)

flores