REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Que seja amor!


Sim, o passado lhe ensinou amor.
No sertão de terra dura e vermelha
O semeador também semeou...
Foi entre a vegetação agreste
Que a semente germinou.
Ali onde o sol arde
E o brutal da vida endurece os corações
Sem muitos cuidados a menina cresceu...
E aprendeu sobre o amor.
Dos seus medos ninguém cuidou
Mãos com acalanto ela tão pouco encontrou
Seu choro não foi sentido
E o seu espanto tão pouco foi contido.
E ela doeu...
Dor que dói inteira
Dor muda, silenciosa...
E no fundo de si sobre o amor ela aprendeu.
Há certos desesperos que salvam...
Ali onde as delicadezas eram escassas
A menina plantava esperança
Embaixo da sua janela
E aprendia sobre o amor.
Oh sim, ela aprendia sobre o amor
Pois era preciso curar os hematomas
Era preciso exorcizar os fantasmas
E sobreviver à derrota que lhe fora imposta.
E foi entre os seus caos, que o bonito da vida lhe sorriu...
Pois havia frestas no seu refugio subterrâneo.
Era por ali que a esperança penetrava
E freqüentemente abraçava as suas dores
Ensinando-lhe sobre o amor.
E no quintal da sua alma a menina construiu o seu mundo
Ali ela desenhou o seu céu e bordou a sua paz.
O tempo passou
A menina desabrochou
Cresceu...
E o seu assombro mudou de rosto
A história reitere, continua...
Mas diante da incapacidade de muitos de entender o que é amor
Ela (a mulher) aprendia a amar.
O amor estava ali, dentro, no cerne...
E insistia, resistia,
Lhe enraizado na alma.
Sim, ele (o amor) lhe tomara de assalto. 
E ela o aceitou, o afagou e a ele se rendeu.
Desafiando o choro, a mágoa, a desilusão e a dor
Ela o receberá...
Porque amor a gente não escolhe
É ele que nos acolhe.
E em teu olhar fatigado ele teceu amanheceres
Teceu a vida...
E ela se encantava com as simplicidades
Que lhe movimentavam as pálpebras
Num vai e vem diário.
A liberdade estava bem ali ao alcance do teu olhar:
Nas flores, nos ventos, na chuva, na terra...
Na infinda e milagrosa benção do recomeço
Entregue-lhe pelas mãos de Deus.
Sim, tudo estava certo... Ela o sabia.
Pois que, se fizesse sol ou fizesse chuva
Fosse calmaria ou tempestade
Fosse noite ou fosse dia
Ela seria amor.