REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Oração de gratidão


Eu lhe sou grata...
Pelas vezes que teu olhar posou sobre mim
E enxergou além do meu aspecto
Vendo o melhor que posso ser...
O excepcional oculto pelo habitual.
Sou-lhe grata pela sua capacidade de permanecer
Abraçando-me num laço transcendente
Enquanto a sua força me reinventava...
Com cores de esperança.
Sou-lhe grata por ficar ao meu lado
Dentro da minha solidão
Abrindo-me os olhos para a glória de mais um dia
Quando a minha vontade era de dormir e dormir...
Ante a angústia de mais um dia cinzento.
Mas você me ensinou a resistir
Dando-me a resistência de um cacto no deserto
Deu-me raízes profundas...
Indispensáveis à minha sobrevivência.
Fez-me compreender que eu poderia ter cores
Apesar da aridez que se estendia a minha frente.
Sou-lhe grata pela paz do sono, meu exílio...
Quando dentro de mim habitava o caos.
Adormecendo minhas lembranças
Sedimentada em "carne viva"
Os meus meus olhos fechavam-se.
Sou-lhe grata por ser meu espelho
Enquanto eu ensaiava um sorriso diante das dores.
Um ensaio cansativo esse...
Pois por vezes era-me duro disfarçar
Uma tristeza que persistia e persistia.
Porém com o tempo aprendi
A simular a máscara do disfarce
Diante das agruras da vida.
E sorrio cada vez mais
Diante dos sorrisos retribuídos...
Que em grande maioria são sorrisos débeis, 
Desinteressados e desabitados de calor.
 Máscaras e mais máscaras!
Falta de essência ou carência?
Quem sabe...
Na verdade o mundo é uma ferida aberta
Onde cada um dói e sangra sozinho.
Pode o meu sorriso julgá-los?
Não, com certeza que não.
Pois aprendi que ficar de alma aberta
Dói bem mais que um sorriso mascarado.
E que às vezes não vale a pena expor a minha nudez.
Pois nem sempre há olhos que possam enxergar...
O matiz da mulher que há em mim.
E não saberiam discernir
 Os diferentes tons que me habitam.
Haveriam de se ter olhares
Semelhante ao olhar agraciado que me olhaste.
Trespassando o inteiro do meu profundo.
Sobrepondo-se sobre a minha sensibilidade
Para o colorido que me habita...
Apesar dos meus pesares.
Portanto sou-lhe grata por esse estado de graça
Nesse mundo bonito que você me ofereceu...
Quando suas mãos pousaram sobre as minhas
E sob as tuas mãos repousei.

Obrigado Deus meu!

O sabor do vento



Quase a flutuar ela fica em silêncio
Ao som do vento.
Que se revela um menino serelepe
Despenteando tudo a sua volta.
Sapateando descalço
Entre delicado e arredio...
Deixando nesgas de esperança nos passos. 
Ela pode sentir sua gargalhada
Espalhando no ar um cheiro de flor quando sorri.
 Colorindo todo o quintal do mundo, em redemoinho.
Movimentando nuvens mágicas pelo céu
Num estampado céu-de-mil-cores.
Com uma coloração que era só dela.
É nesse instante que ela agradece
E abre os braços para uma prece.
Numa serena felicidade distraída
Deixa-se embalar na ternura do momento.
Pois que dias assim, não lhe são freqüentes.
Dias assim tem sabor...
Deixam-lhe na alma um suave gosto de mel.
De repente o vento toca-lhe de leve a face
Num suave beijo de despedida.
Beijo assim...
Parece poema preenchendo espaços.
A alma anseia pelo próximo.
_______
Então o vento se deixa ir...
Prosseguindo em seu giro pelo mundo.
Entretanto,
Já não têm mais jeito de menino serelepe
Deixou atrás de si os devaneios.
Desloca-se agitado
Contraindo outros aromas, outros movimentos.
...
(Nada é pequeno quando se prova a ternura do vento)