REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O reencontro


Para muitos 
Foi bem mais fácil me considerarem louca
Do que me compreenderem.
Entretanto você de mim se aproximou...
Em silêncio me abraçou.
E protegendo-me de mim mesma
Atravessou os meus silêncios...
Desnudando-me por inteira
Rompendo-me o lacre.
Minha porta, tua chave!
E um desejo enorme de escancarar-me...
Desvendando-me todas as senhas.
Soubeste antes de mim
Que as cicatrizes são apenas flores...
A fazer-me um jardim na pele
Numa primavera meio-louca.
Para esconder-me de rigoroso inverno.
A fronteira que me separa dos hipócritas.
E finalmente entendi que depois de ti
Eu sou o meu lado certo.
O reencontro... 
De uma louca com seu mundo
Sua paz.
As feridas da alma foram curadas...
Um gesto de ternura
Um olhar
O teu olhar! Sobre mim.

Ninho de palavras


Nos versos que escrevo
Quase tudo revelo
E quase tudo escondo.
É tudo o que (não) consigo dizer
São minhas falas...
Que vivem dos meus segredos.
Respiram as verdades não entendidas
Em um modo secreto de tudo dizer.
São meus caminhos de idas
São meus caminhos de volta
Onde espreito a porta entreaberta
E espiono minha alma...
Há silêncios musicais
A germinarem-me no peito
Minha orquestra de palavras.
Onde tudo está (in) certo
No seu lugar!
É a verdade que passou a descrever-me
Sem necessitar da minha boca.
Aprendi que anoitece 
E amanhece em minhas mãos.

Há em mim um poema


Há em mim um poema sendo escrito
Escorre-me nas pontas dos dedos
As tintas das minhas rimas
São traços... São sonhos
São paginas... Minha memória
São momentos de dor e de amor
Os versos da minha história.
Na poesia dispo a pele... Entrego-me
Sou a mulher no ventre... A essência
Sou eu, despida de toda ausência.
Sou o antes e toda a esperança do depois
Onde as letras se fizeram em ternura
Cobrindo o meu corpo nu.

Natureza morta


Da minha janela...
Vejo tantos sonhos despojados
Tantas indiferenças... Cheias de nada
Tantos crepúsculos sem alvoradas!
Há tantos passos vazios
Caminham pelas ruas escuras
De suas noites sem dias. 
Suaves sopros de vidas...
Indiferentes às calmarias
Indiferentes às tempestades
Ausentes de tudo
Fantasmas em revoada!
Perdidos, esquecidos...
Em seus mantos de silêncios.
Da minha janela
Vejo...
                     O vazio
                                                  O abandono
                Corpos sem almas.