REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

domingo, 13 de maio de 2012

Palavras emudecidas


Somos todos cercados de grandes silêncios
À espera das palavras certas
As que retêm a claridade 
Dos mais profundos sentimentos
Retidos na memória...
Carregada de feridas,
Dores e cicatrizes 
Adquiridas ao longo de nossas vidas
Das quais nunca nos curamos
 É no silêncio de nossas almas
Que perduram tais sentimentos,
É onde enterramos vivos 
Tudo que nos queima
Recobertos por uma perenal neblina
Uma espécie de laços e nós
Somente assim respiramos
lentamente
Com medo que algo se desate
 desabe
Cá dentro,
O medo está sempre lá
No profundo,
Querendo nos sufocar
Por entre suas mãos de folhas secas
E nos obriga a encolhermos em silêncio
E ficamos sempre à espera...
Das palavras certas
Palavras emudecidas.

O silêncio entre as palavras


Às vezes, 
A maior distância que existe
É o silêncio entre duas pessoas
O silêncio entre as palavras
 E se torna tão fácil 
Segurar as palavras entre os lábios
Sobretudo quando elas escoam dentro de nós
E se unem numa muralha intransponível
Ascendendo há uma altura sem dimensão
Ficam lá, silenciosas.
Ao mesmo tempo em que...
 Ressoam jorrantes e catárticas
Por todo o ventre das nossas almas
Agitam-se violentas e venenosas
Absorvendo-nos a ternura
Das almas que choram
À espera
De serem lançadas em êxodo
Numa enxurrada de palavras ferinas
No mais inteiro e absoluto vulcão
Onde tudo troveja e explode
A face um do outro
E aos poucos nada mais existe
Nada mais se renova...
E das mais lindas palavras ditas
proferidas
 Por duas almas apaixonadas
Somente sentem-se os ecos
Cravados no peito
Rendidas, 
Pelo cansaço da luta inglória.

(O silêncio tem o poder de unir e desunir pessoas.
Às vezes as palavras precisam ser ditas 
Nem que sejam pelo silêncio de um olhar,
Para que a magia possa continuar...) 

Rosas de pedra


Que estou aqui é um fato
Dentre do que nem sei onde.
Na penumbra... 
No interior cinzelado das sombras.
E nada no meu intimo se traduz.
Apenas sinto...
 A pulsação da solidão.
Sinto que morri um pedaço enorme
Onde a primavera existia.
Onde cantavam as cotovias
E piavam as gaivotas.
Mas atualmente
A noite adensa-se obtusa 
Na pele assinalada.
E sem nada que me identifique
Escorro pelas pontas dos meus dedos...
Por entre os escombros
Do tudo que me resta.
Desejosa de escoar-me em ramos
Desabrochar-me-ei 
Num reflorir entre o cinza do mar
E o negro do céu.
Nem que me seja em rosas de pedra.

Há de chegar um dia


Há de chegar um dia que a mim
A chuva miudinha haverá de cair.
Lavando-me as arestas ásperas... 
A arder por entre o lume do meu silêncio.
E desabrocharei ao som do meu canto.
Anseio de alma e coração aberto
Que os meus sonhos não se distanciem
De uma realidade futura...
Onde os estilhaços da tristeza não me atinjam
E nem me aflijam as borboletas do peito.
Que ao alcance da promessa
Possa brotar-me a esperança... 
Do peitoril dos meus dias ensolarados.
E de minha garganta estéril ouvirei o meu canto
Como um pequeno animal que uiva...
Ao beber no regato de uma grande fera.
Quiçá nesse momento
Os meus olhos abertos perscrutar-me-ão...
 E eu não verei nada mais, além de mim.
Do meu destino prescrito
Nas linhas apagadas das minhas mãos lavadas.
Tal qual fênix emergindo das cinzas.