REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

terça-feira, 13 de março de 2012

Campo da batalha


O caminho foi traçado
As escolhas foram feitas
aceitas 
Através dos sentimentos
Mesmo não tendo previsão
Do que encontraria a cada passo dado
Nem sempre foi fácil de ser delineado
percorrido
De não se ter pego um desvio
Foi um caminhar marcado
De luta...  De sangue
De noites solitárias
No campo da batalha
De velhas bruxas desdentadas
desgrenhadas
De risos escancarados
Que lhe tolhiam as forças
Nunca esteve só
A sua volta as arvores queimadas
carbonizadas
Balançavam em seus ramos secos
Os enforcados
Fantasmas de suas outras batalhas
De outros tempos
Porém mesmo agora 
Em tua força vacilante
Segue em frente sem olhar pra trás...


A sepultura é viva


Quando eu morrer quero ser cremada.
Passei minha vida toda dentro de um caixote...
Em clausura 
Metida no centro de um abismo.
Não quero ninguém usando preto!
Já usei luto, por mim mesma a vida inteira.
Essa coisa de vestindo por dentro...
O negro, ébano profundo.
Sou feita de dedos 
Que vivem tocando as próprias feridas.
De bocas rasgando a carne em busca de ar
Enquanto me afogo no meio do sangue.
Caminho descalça sem deixar pegadas...
Transito sobre as brasas
Que me deixam a alma em bolhas.
Sem escolhas retenho o cárcere-martírio.
Levo o ventre cheio de adeus 
Gestante dos meus fantasmas...
Onde os mortos me entregam flores.
Queria ao menos deixar rastros escarnados
Meu sangue purpúreo 
Deixado na fuga.
Quem puder que se salve
Eu já não tenho cura...
Sou o suspiro.
Ai de mim!
Acendam-me uma vela.
A sepultura é viva
O sepulcro é aberto
Conservo o corpo em êxtase 
À hora extrema.
Espalhem as cinzas aos ventos...
Haverá redenção? 

À criança presa num corpo de mulher.