REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

quarta-feira, 7 de março de 2012

Estou gestante


Estou gestante
Carrego no útero
As raízes
As entranhas de mim
Meu ventre cresce
Forte... volumoso
Poema no meu corpo
Uma ultra-sonografia revela
Um oceano
Água derramada
Em volta do feto
Embrião cheio de brotos
Tem pés... Tem asas
Se não puder caminhar
Vai voar...
Estrias?
Tenho várias
Linhas distendidas
tatuadas
Por todo o ventre
memorial
Que encerra a semente
O fruto
Que amadurece lentamente
Oriundo de mim
Das minhas dores
Dos meus amores
Em aprendizado
Em gestação
De mim.

Mesclas do branco no preto


Tem coisas que ignoro
Não por ser ignorante
Mas por entender 
Que existe uma linha
Entre o que sinto
E o que pratico
Pensa-se... Não faço
Faz-se... Não penso
Reconheço que não é fácil
Delimitar o tênue
Do cinza
Mesclas do branco no preto
O fundo
Da madrugada na noite.


O amor não deve ser mendigado


O amor não deve ser mendigado
De sobras e migalhas
Tem de ser ofertado
Ser alimento... completo
Que sacia a fome
De quem come
Que tenha chama
Porém o bastante para ser amante
Na borda
Para que não inflame
E se transforme
Em cinzas
Um desafio...
Que só entende aqueles que amam.


São tintas da minha vida



Aprendi a escrever para aprender a viver
Em meus lábios somente o silêncio
Mesmo assim bebo dos meus versos...
Tem versos que não escrevo
Só pinto preto no branco
Não posso falar das cores
São tintas da minha vida
Em lápis rápido desenho
O pássaro
Mas,
Não o ninho
O caminho
É secreto... O limite
Não me permito
Desvendar certos mares
A substância em êxtase
Da dor... Do amor
Em fogo na mão.


Sou rastro... Em chama


Um intenso desejo de gritar
Que ainda estou aqui
Vivo... respiro
Sou rastro... Em chama
Um palheiro que queima
Sob o sol
De minhas águas
Que bebo e refresco
Essa sede de viver
cultivo
Flores... amores
As borboletas de mim
Germino... mergulho
resisto
Sendo assim...
Existo.



Um vendedor de flores


Um vendedor de flores
Catador de sonhos
Ainda acredita em milagre
Portanto planta sementes
À cata de amores
Atrás da primavera
Cinge as pétalas
Ao coração
Num laivo de crença e loucura.

Sou sendas... Em fendas


Sinto-me perdida
Falta o teu cheiro
Transmutado em mim
Não me tenho por dentro
Você me leu antes de mim
Divisou águas brutas
Diversas de mim
Dispersas... libertas
E agora?
O que me sobra?
Agonizo... Em rascunho
Sou sendas... Em fendas
Por dentro
 Sem pele
Paredes duras
nômade
Vagueio sem rumo
extraída
Em sumo...

Sem raiz


Canção sem timbre
Madeira podre
oca
Pétalas caídas
Rosa colhida
morta
Alma tolhida
Sem verso
enreveso
Palavras em chamas
Sem penas
Sem raiz
cinzas
Gerânios sem brotos.