REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

domingo, 4 de março de 2012

Hoje me falta a alma


Hoje me falta a alma 
Que procuro 
Mas não vejo
Nem sei como respiro
suspiro
De lábios entreabertos
Absorvo e lamento
O vazio
Sinto-me assim como neblina
Que dissipa
Talvez eu seja só os pés
Plantados no jardim
Despetalada... destituída
De sentimentos
As flores foram colhidas
E jogadas dentro d´poça
Sinto-me só...
Só murmuro
Vencida... 
Sem mim.

Onde moravam violetas azuis


Nos meus olhos um dia brotaram flores
E ousaram pousar as borboletas
Hoje são por eles que busco a fuga 
Tento escapar de mim
Pelas órbitas dos meus sonhos
Por onde fujo só em trapos
Por eles me espio dentro de mim
E não vejo mais a chama
No fundo do meu olhar
Onde moravam violetas azuis
São cactos que me olham de volta
Deixei cair o véu
Já não avisto mais o céu
Despojos são tudo que restam
Preciso me olhar nos meus olhos
Para acreditar que é hora de mudar
E arrasto-me pelas janelas da visão
Escapando do subterrâneo
Profundo... escuro
Da minha existência.


Por entre os rasgos


E dos teus rasgos brotava a flor
O sorriso do retrato ainda lhe sorri
Derrama luz por entre as cinzas
Que coloriu de escuro o teu céu
Houvesse ao menos uma lua
Pelas fendas do papel
Cobriria-lhe de prata os olhos
A alma se vestiria de fênix.


Cavei fundo


Estou cá
E já cavei fundo
Na areia do mar
Afastei-me do mundo
Só conservei a emoção
De certa forma sou a areia
O coração...
Fecho olhos 
E sinto
Um outro coração 
Ao meu lado
Parece-me ser tão real
Que quase chega a ser palpável
Dentro de mim
No profundo
Da areia
O meu coração bate
No ritmo do seu...


Acabou a inocência


Em busca de si
Do sol
Dos céus
Aninha-se na lua
Recolhe ao ninho
Aconchego... quietude
Cumprindo o ritual milenar
Quando tudo se cala
A voz... O canto
Somente respira
Os olhos e a alma choram
Tentando acalmar a dor
Já não sabe mais quem é
O silêncio silencia
Enquanto as estrelas expiam
As desolações de espírito
Sobre a terra encharcada
Deceparam os lírios brancos
Findou a doçura
Acabou a inocência 
À espera de um milagre
Permanece nas alturas
Não há mais vida lá fora
Os sonhos só duraram um minuto.


Amor entre o dia e noite


Tão pouco se sabe
Do amor entre o dia e noite.
Só se ouve falar
Dos encontros na madrugada.
Nas juras infinitas
Desse mistério amoroso...
A noite sempre fica em soluço
Não quer ir embora.
O dia fica conturbado
Pois o sol já vem raiando
Separando assim o casal.
Que respiram profundo
No instante mais escuro
Do primeiro raio de sol.
A noite silenciosa se vira
 E cabisbaixa vai embora.
O dia sem pressa 
Vai saindo devagar.
Ainda molhado 
Pelas lágrimas da noite
Muito bem escondida 
Pelo brilho do sol.
Só resta ao dia
Ouvir o tic e tac do relógio
 Esperando as horas passar.
Para que chegue logo
O entardecer.
Quando novamente surge a noite
e cai em teus braços
Toda cheia de saudades.
Mas o dia apressado
Precisa logo ir embora.
Porquanto despede-se da noite
Que fica toda em sombras
Em sua angustiosa espera
Pelo próximo encontro
No surgir da madrugada...

Brilho próprio


Em meio a tantas outras
Não se achava comum
Tinha brilho próprio
Olhos que enxergavam longe
Que brilhavam
Olhos de estrela
Dentro da imensidão
viajava
Rápida... silenciosa
Cruzando os céus
Vagava no tempo
Deixou na noite uma lembrança
Foi mais uma estrela que brilhou
Lá se foi a estrela cadente.