REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Despida de sonhos


Só se ouve o farfalhar do vento
Rompendo o silêncio
Despe todos os sonhos
As malas já estão prontas
Não tinha mais porque ficar
Não havia mais como reparar
Só restavam cacos espalhados
Em passos lentos caminha
Segue para a porta
Não se vira
Segue em frente
Não há ninguém para o adeus.

Seu José parece feliz


Seu José parece feliz
De calça amarrada 
E botina furada 
Perdido no tempo
Tem a vida 
E a pele marcada 
O passo é lento
Mas não desanima
Em nenhum momento
...
Longe do barulho da cidade
Gosta do sossego da roça
Não deixa sua terra
Uma terra que é sua
Onde faz as suas preces
Terra árida
Onde a flor insiste 
E brota
...
Vive ali sozinho
Tendo por companhia
Só os animais
Criaturas da natureza
Tudo o que necessita 
Está guardado na dispensa
A sua vontade de viver.

Apenas a areia


Eu sou apenas a areia
Banhada pelas águas na praia
O vento está por mim apaixonado
Chega a mim fazendo graça
Carregando-me em seus braços
A onda fica mais forte
Arrastando-me até o mar
O vento enciumado
Vira logo um furacão
Provoca uma tempestade
Lançando-me pelo ar
Caída a mil léguas da praia
 Só sinto a brisa passar
Vem minha mágoa acalentar
Não sinto mais a onda do mar.


A festa


Fui convidada para uma festa
Meu nome é Alegria
O salão estava cheio
Fiquei ali à espera
Aguardando a próxima dança
Mas o Orgulho passou por mim
Se achando muito importante
Logo em seguida veio a Inveja
Olhou-me de cima em baixo
Se sentindo mais elegante
O Ódio também passou por mim
Esbanjando muito rancor
Mais adiante eu vi a Raiva
Com o rosto crispado pela ira
Olhando-me como inimiga
Além dela estava o Egoísmo
Valsando sozinho
Completamente centrado em si
Depois vi a Mentira
Tirando a Inveja para dançar
Fazendo-lhe falsas lisonjas
Lamentando por tudo que vi
E antes que a Tristeza por mim passasse
Decidi ir-me embora da festa
 E já estava de saída
Quando vi a Esperança chegando
Trazendo pela mão a
Chegou toda radiante
Repleta de confiança
Acreditando na força do Amor
O mesmo chegou logo em seguida
Vestindo seu mais belo traje
Feito dos mais finos tecidos:
Afeto, sinceridade, lealdade...
Espalhou pela festa sua magia
Bailando comigo com ousadia
Assim sendo, a festa foi divertida
E foram todos muito bem recebidos
Pelos anfitriões da festa:
A Paz e o Perdão.

Minhas moradias


Construí muitas moradas
Algumas de fé... De esperança
Outras de amor... De dor
Umas habitei por longos tempos
Outras nem tanto
Mas as habitei todas
...
Casa em meio às tempestades
Que a sacudia 
De um lado para outro
Não me abrigava direito
Passei frio... fome
Tive sede...
Casa da dor
Fiz as malas e mudei
Segui o cheiro das rosas
Era um lar aconchegante
Cheio de calor... De proteção
Casa do amor

Também habitei 
Em outra que me deu luz
 Consolo... direção
confiança
Era uma casa paralela a outra
Com uma passagem
Que as ligava
Casa da fé-esperança
...
Sendo alvo ou a salvo
É a minha essência
É a experiência adquirida
Em travessia
Em batalha
Dentro de todas elas
Que me acolheram
Ensinaram-me
A persistir...
Seguir...
&
Sem palavras me diziam:
Seja bem vinda!


Alma cigana



Alma cigana
Vestida de equilibrista
Vai traçando o caminho
O mapa
Segue em corda bamba
Muitas vezes se balança
De um lado a outro
Mas se refaz
Insiste... Não entrega
Entregar seria sua queda
Vai florindo
Fazendo cor
Está sempre de partida
Agarrada as crinas do vento
Não se vira
Não olha para os lados
Nem para trás
Numa milenar busca
Segue em frente...
De alma colorida
E mala pronta
Rumo
Ao arco-íris
Do azul imensurável
Onde o céu é o limite...




Talvez seja só o silêncio


Estamos sempre buscando
Partindo para lugares 
Que conhecemos desconhecendo
 Pois nos são desconhecidos
 Porém esta aqui dentro 
Ou fora... 
Em nós
 Em algum lugar... 
Às vezes,
 Nem precisamos procurar
Somos encontrados
Ouvimos o bater na porta
Talvez seja só o silêncio
Mas serás bem vindo?
deverás
Ele sabe a hora exata de chegar
Vem sem avisar
Tem receio de nos encontrar
escancarados
A todas as mesmices
reclamando 
Cheios de tolices
...
E eis que ele aparece
A verdade se revela
É chegado o momento
Do silêncio
Da metamorfose
Da crisálida em nós repousar
Até que a borboleta apareça
E bata asas novamente...