REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Devoradores de alma


Porque me impor os seus fantasmas?
Se já tenho os meus
Todos enrolados, sedados.
Guardados em gavetas
São como cupins adormecidos
À espera de um sinal 
Uma manifestação que estou viva
Para avançarem seus tentáculos
Devoradores, sugadores de alma.
Os conheço bem... cupineiros 
Estiveram sempre aqui
Alimentando-se de minhas feridas
Por ora estão retraídos 
Sobre si mesmos
Sempre à espreita...
Assim sendo não preciso dos teus.


Até o amanhecer


Não me deito sobre a solidão
Ela que se deita sobre mim
Impele-me brutalmente suas teias
Zomba das sombras que me abraça
Enquanto espero em sonhos te beijar
...
Deitada em penumbra adormeço
Dando uma pausa na solidão
Espero que venhas a mim 
Despida de todos os medos
Acordada para todos os prazeres
...
Até o amanhecer... Nunca é suficiente
Aguardo a noite outra vez...

Águas estagnadas


Inevitavelmente teria de ser assim
Sinto-me cansada
Esgotei-me nas esperas
Cansei pelos talvez fossem hoje
E não foram...
Desgastei-me do suspenso
Da água represada 
Que nunca se esvai
De cada palavra não dita
De cada verdade escondida
Embora doa
Deixo-me vencer
Deito por terra qualquer ilusão
Pelo tempo perdido
Pela vida que me foi adiada
Pelo amor
Que nunca existiu...


Espelho d'água


Todos juntos estão os seus traços
Refletidos num espelho d'água
 Metades que já foram apenas uma
Ave despida das plumas
Desflorada de toda ingenuidade
O frescor escorre pela face
E adormece no sorriso
O sol da manhã esta molhado
Recolheu o seu brilho pueril
Seu céu permanece escuridão sem luar
Gota a gota as lágrimas vazam
São poeiras da saudade...
 Fazem reflexos aos olhos
De todas as metades mortas.

Redimida


Tenho musgo por veste
Alheia a hipocrisia do convencional
Em desequilibro com as regras
Observo minha tez no espelho
Espio... rodopio
Leve___ muito leve
Espalho meus traços 
Por toda a parede espelhada do mundo
Redimida das correntes... Vôo.

Caminhando sobre as brasas


Quando as cinzas do tempo se juntam
Trazem consigo amargas lembranças
 Labaredas de paixões inflamadas
Que jaziam brasas adormecidas
Todavia ao serem revividas 
Tornam-se fogueiras em chamas
Fênix renascendo das cinzas
E assim caminho sobre as brasas.

Espera pelo outono


As janelas dos olhos buscaram por lembranças
Só encontraram um silêncio absurdo 
Dos sonhos que se perderam
Era somente um vazio dentro do breu
Que me espreitava em deboche
Da minha espera pelo outono
Debochava das minhas folhas secas
Enquanto perdia-me em desvario
A espera do verde que me prometeu
Em minha loucura não via
Que a semente jazia morta...
Olhei no mais profundo
 Procurei pelo espelho da alma
E vi no escuro todas as imagens esquecidas
Tão frias e distantes não passavam de pesadelos.