REVELAÇÃO

"Hoje,

Caminho de mãos dadas

Com a felicidade.

E uma enorme vontade de viver...

Sem partida, nem chegada.

Somente uma viagem..."

May Lu

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama,

Acorda e põe sua roupa de viver."

Clarice Lispector

"Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade"

Oswaldo Montenegro

cultivando flores

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."

"Alguns procuram a felicidade, outros a criam."
O que é bonito tem vínculos dentro do tempo e da distancia. (May Lu)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Nuances


Sou estudante da vida
Aprendo na caminhada
Caminho e semeio
Para os outros que virão
Sigo a procissão
Vivo cada segundo
Como se fosse o último
Sou só sentido
Sentindo a brisa
Existo... respiro
pauso
Meu tempo é agora
O amanhã desconheço
Sou apenas um grão
De mostarda
De areia
Nuances
Entre tantas cores
Sou metamorfose ambulante
O mundo, eu, o destino.
Assim vou vivendo
E sonhando.
Desnudo-me lentamente
A eternidade
De ser
Pétalas de rosas
Que abriga a borboleta.



Uma vez mais


Divago
Um vazio cheio de ar
O silêncio já não tem falas
As letras estão sem temas
Desertou o enredo do poema
Não sinto a carícia nas letras
O interior está sem olhos
Assim sendo
Eu grito
Que se houver
Uma única sílaba
Que se mostre inteira
E uma vez mais
Eu possa no silêncio
Ter a sensibilidade
Do chamado... Do convite
A poesia.


Eu... A outra


O espelho mostra
Imagens refletidas
Aqui e ali
Eu... A outra
Ângulos diferentes 
Irritadiça... apaixonante
Lúcida... insensata
Ás vezes em excessos 
Nesse vai e vem
Uma chega
A outra vai
E ainda é a mesma
Demasiadamente humana
Cuja face se volta
Para todas as outras
E sem pressa
Fazem o ciclo
A junção
Do espírito que reside em todas.


Renúncia


Ando em silêncio.
Em luto
Por cada morte minha.
Mataram-me várias vezes...
 Despojaram-me a fantasia.
Já não sei quem sou
E nem para onde vou.
Apenas sigo...
Cadáver desnudo.
Estrangeira em terra de ninguém.
Onde os sonhos jazem
E de certa forma alimentam...
Ao único bem que me restou.
Este sorriso, que não é meu. 


Esfinge


Mergulho minhas mãos
Na tua alma
Para sentir a minha voltar
Busco a saída
O oculto do que vejo
Nômade... Em labirinto
Esquadrinho o nebuloso
Saio à procura
Mariposa beija-flor
Enigma... esfinge
Em sedenta busca
Procuro-me em ti
 Avanço 
decidida
A alcançar a tua alma
Quando me rendo a ti.



Presa no tempo



Densa bruma 
 Que nem o vento
E nem o sol dissipa
Tarde cinzenta
Dia negro
Camufla o sorriso
Aloja o frio
Coração inquieto
Agita no peito
Condensa a dor
Presa no tempo
Seca e nua
Tela sem tinta
Sem arte... Sem vida
Sem vela... Sem chama
Rola na lama
Em passo lento
O tempo não passa...



Águas profundas


Se  fecho os olhos sinto a fragrância 
Do sabor daqueles sonhos
Saudades do que já tive
Lembranças dos dias que já vivi
Memórias do meu jardim
Onde plantei fadas do arco-íris 
E colhi maça com canela
Reguei o capim limão
E nasceu a alma do mundo
Assistido pela lua cheia
Refletida em águas profundas
A essência transitória
Dos sonhos que eu já tive
Caminhos desenhados
De uma primavera em cores
De borboletas e flores
Onde o mundo
Era um mundo inteiro
 A vida era uma viagem
De colibris
Numa violeta lilás
O elo entre o céu e mar
Entre o azul e o amarelo
Bucólico... efêmero
Sol poente
A felicidade tinha pressa
No balanço de um salto alto.